O Guia Alimentar para a População Brasileira e sua relevância

Nos últimos dias as redes sociais foram tomadas pela polêmica relacionada ao guia alimentar, envolvendo cientistas da área de nutrição e o Ministério da Agricultura. 

O guia alimentar para a população brasileira, que foi lançado em 2006 e teve sua segunda edição no ano de 2014, é uma publicação elaborada pelo Ministério da Saúde (MS) em parceria com o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP) e com o apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/Brasil) e tem por objetivo incentivar a população brasileira a ter uma alimentação adequada e saudável. Além disso, serve para nortear políticas públicas de segurança alimentar. 

Recentemente foi divulgada uma nota técnica do Ministério da Agricultura pedindo a revisão do reconhecido Guia Alimentar para a População Brasileira, alegando que a indústria de alimentos precisa ser ouvida e que deve-se extinguir da publicação a classificação de alimentos ultraprocessados bem como a orientação de reduzir o consumo desses. 

A referida nota técnica contesta o conceito de que alimentos com alto número de ingredientes, conservantes químicos, e baixo valor nutricional como refrigerantes, macarrão instantâneo, biscoitos recheados- os chamados ultraprocessados –  são prejudiciais à saúde; afirmando que não existem comprovações científicas sobre essa informação.. 

O representante do Ministério, responsável pela nota técnica e o pedido de revisão , argumenta que o guia alimentar limita a autonomia de escolhas alimentares pela população brasileira, uma vez que recomenda a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e a dar preferência por alimentos in natura ou minimamente processados, alegando ainda que é infundado relacionar o nível de processamento do alimento com a sua intitulação de saudável ou não. 

No entanto, o guia alimentar para a população brasileira é reconhecido internacionalmente por ter classificado os alimentos de uma nova forma, visto que se antes se falava sobre nutrientes e utilizando termos mais técnicos, agora, leva-se em consideração o grau de processamento dos produtos, tornando mais fácil a identificação por parte da população leiga. Além disso, antes da publicação ter sua edição lançada foram realizadas várias consultas públicas abertas, possibilitando que inclusive as indústrias de alimento fizessem suas considerações a respeito. 

 Todas as informações inseridas no guia alimentar para a população brasileira foram provenientes da literatura científica, logo, bem fundamentadas; a fim de garantir à população informação acessível, verídica e de fácil entendimento; o que torna o pedido de revisão pelo Ministério da agricultura um pedido improcedente e sem relevância para a saúde pública, uma vez que existem conceituados artigos associando o consumo de alimentos processados e o aumento do risco de doenças crônicas não transmissíveis como Diabetes Mellitus, Hipertensão arterial e Obesidade.

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