A nutrição e sua função fundamental no tratamento do câncer colorretal

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Para encerrar  o tema da campanha Março azul marinho é importante falarmos sobre o tratamento do câncer colorretal o qual geralmente é composto de  cirurgia seguida de radioterapia, associada ou não à quimioterapia.

Uma alimentação adequada pode auxiliar na reconstrução dos tecidos que o tratamento possa eventualmente prejudicar, além de beneficiar na redução dos efeitos colaterais provenientes do tratamento e ainda evitar a recidiva da doença.

Após o procedimento cirúrgico a nutrição do paciente deve ser focada na cicatrização. Os alimentos são reinseridos na dieta de maneira gradativa, conforme aceitação e tolerância, sendo que até 24h após a cirurgia o paciente inicia a dieta líquida que posteriormente evolui para pastosa e por fim a sólida. Alimentos fibrosos e flatulentos (feijões, laticínios  e ovos) devem ser restritos da alimentação até que a mesma atinja a fase sólida.

Durante o processo de radio e quimioterapia a alimentação pode ser de grande auxílio, visto que é fundamental no alívio dos principais sintomas, por exemplo, náusea, vômitos, dificuldade de deglutição, alteração no paladar, etc.

Alguns medicamentos utilizados na quimioterapia podem causar alteração no sabor dos alimentos, o que pode fazer com que se deixe de gostar de alimentos que antes eram os favoritos. Para evitar a sensação de sabor metálico nos alimentos boas estratégias incluem fazer uso de talheres de plástico, além de  copos e pratos de vidro ,experimentar usar diferentes temperos e especiarias, incluir gotas de limão e frutas cítricas nas preparações  e  evitar o consumo de carnes vermelhas.

A dificuldade de deglutição pode ocorrer devido a feridas na boca que podem ser causadas pela inflamação chamada mucosite, a qual ocorre como efeito colateral do processo quimioterápico. Para auxiliar na nutrição do paciente com mucosite recomenda-se que se evite alimentos ácidos, picantes  e secos e se altere  a consistência dos alimentos de modo que seja necessário  pouca ou nenhuma mastigação. Outro efeito colateral que resulta em dificuldade de deglutição é a boca seca, causada pela alteração das glândulas salivares pela radio ou quimioterapia, que fazem com que a saliva torne-se mais espessa; práticas alimentares benéficas nesse aspecto consistem em aumentar a ingestão de água durante o dia, consumir alimentos mais macios e úmidos, de preferência frios ou em temperatura ambiente, evitando ainda os alimentos açucarados, secos e pegajosos.

As náuseas e vômitos também podem ser resultantes dos processos de radio ou quimioterapia, e o melhor tratamento para esses sintomas é a prevenção, que consiste em preferir o consumo de alimentos de fácil digestão, fazer pequenas refeições durante o dia, evitando a ingestão de líquidos antes, durante ou imediatamente após as refeições, e observar quais alimentos desencadeiam as náuseas de modo a evitar o consumo dos mesmos.

Pode-se afirmar que a alimentação é de extrema importância durante todo o processo do câncer colorretal, visto que atua tanto na prevenção quanto no tratamento; dessa forma é incontestável que a atenção ao estado nutricional do paciente tem papel  fundamental no prognóstico bem como no sucesso no tratamento da doença.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.