Os servidores técnico-administrativos em educação da Universidade Federal de Ouro Preto entram em greve nesta segunda-feira, 2 de março. A decisão foi aprovada em assembleia extraordinária realizada no dia 23 de fevereiro, no auditório do Departamento de Geologia da UFOP, com a presença de 165 associados do sindicato ASSUFOP. A paralisação foi aprovada por maioria simples.
A principal motivação é o descumprimento do acordo de greve firmado em 2024 entre a FASUBRA Sindical, federação que representa os servidores técnicos das universidades federais, e o governo federal. O ponto mais sensível é o RSC, Reconhecimento de Saberes e Competências, mecanismo que permite progressão na carreira com base em qualificações adquiridas fora da formação formal. Segundo o sindicato, o texto enviado pelo governo ao Congresso Nacional diverge do que havia sido pactuado.
O que levou à greve
A decisão pela paralisação não foi unânime. Na assembleia do dia 23, servidores favoráveis à greve argumentaram que 2026, apesar de ser ano eleitoral, oferece uma janela política e orçamentária favorável para pressionar por avanços concretos. A avaliação é de que adiar a mobilização pode significar perder o momento.
Do outro lado, uma ala do sindicato defendeu cautela. O argumento foi que o movimento nacional ainda não tem força suficiente para sustentar uma greve longa, e que as restrições da legislação eleitoral podem limitar os ganhos possíveis. A maioria, no entanto, optou por avançar.
A formalização junto à reitoria

No dia 24 de fevereiro, o presidente da ASSUFOP, Gabriel Souza (à direita da foto), entregou pessoalmente à Administração Central da UFOP o ofício nº 005/26, comunicando oficialmente o início da greve e a instalação do Comando Local. Ele foi recebido pela vice-reitora Roberta Eliane Santos Froes e pelo pró-reitor de Gestão de Pessoas, Paulo Fernando Teixeira de Camargo.
O documento também propõe o início imediato de negociações entre o Comando de Greve e a reitoria para definir quais setores interromperão as atividades e quais manterão funcionamento essencial. A manutenção de serviços críticos visa evitar danos permanentes à universidade, bem como riscos a pessoas e animais.
O que os servidores reivindicam
No dia 27 de fevereiro, durante reunião do Conselho Universitário da UFOP, Gabriel Souza discursou para apresentar as motivações da greve à comunidade acadêmica. Além do RSC para 100% da categoria, os técnicos reivindicam redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, aceleração das progressões na carreira, reposicionamento dos aposentados, implementação do regime de plantão 12×60, fim da possibilidade de terceirização dos cargos de TAEs, manutenção do Step único e constante, além de abertura de concurso público para intérprete de Libras.
A categoria também exige mudanças na governança das instituições federais de ensino, incluindo eleições diretas para reitor e a possibilidade de servidores técnicos ocuparem qualquer cargo de gestão, inclusive o de reitor.
O que acontece a partir de segunda
Na mesma data de início da greve, será instalado formalmente o Comando de Greve, que conduzirá as negociações com a reitoria. A data foi escolhida para coincidir com a montagem do Comando Nacional de Greve pela FASUBRA Sindical, buscando coordenação entre as universidades federais do país.







