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O Brasil passa a ocupar posição de destaque no cenário internacional diante do avanço da demanda por minerais considerados estratégicos para a economia global. Um levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indica que as reservas conhecidas de terras raras no país possuem valor estimado equivalente a 186% do Produto Interno Bruto, tomando como base dados de 2024.

O volume projetado coloca o Brasil entre os principais potenciais fornecedores desses recursos, em um contexto de crescente interesse global por matérias-primas ligadas à tecnologia e à transição energética.

O que são terras raras

As chamadas terras raras correspondem a um grupo de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de produtos de alta tecnologia. Esses minerais estão presentes em equipamentos como baterias, turbinas eólicas, semicondutores, celulares e outros dispositivos eletrônicos.

Além disso, têm papel relevante no desenvolvimento de soluções voltadas à energia limpa e à inteligência artificial, setores que vêm ampliando sua participação na economia mundial.

Apesar do nome, esses elementos não são necessariamente escassos. No entanto, sua extração e processamento exigem técnicas complexas, altos investimentos e cuidados ambientais específicos, o que limita a oferta global.

Níquel reforça presença brasileira

O estudo também destaca as reservas de níquel no Brasil, estimadas em cerca de 12% do PIB. O mineral é utilizado principalmente na produção de baterias e ligas metálicas, sendo considerado estratégico para a indústria de veículos elétricos e armazenamento de energia.

A combinação entre terras raras e outros minerais críticos amplia o potencial do país como fornecedor relevante em cadeias produtivas globais, especialmente em setores voltados à inovação tecnológica.

Disputa internacional por recursos

Com a expansão de tecnologias digitais e a transição para fontes de energia de menor impacto ambiental, a demanda por minerais estratégicos tende a crescer nos próximos anos. Esse movimento tem intensificado a disputa entre países por acesso a reservas e cadeias de suprimento.

Nesse cenário, países com grandes volumes de recursos naturais passam a ser observados com maior atenção por governos e empresas internacionais.

Papel do Brasil na nova economia

O posicionamento do Brasil nesse contexto dependerá, em parte, das estratégias adotadas para exploração e aproveitamento desses recursos. Especialistas apontam que decisões relacionadas à industrialização, agregação de valor e sustentabilidade podem influenciar o papel do país na economia global.

A forma como esses minerais serão inseridos nas cadeias produtivas, seja por meio da exportação de matéria-prima ou do desenvolvimento de indústria local, tende a definir o nível de protagonismo brasileiro nos próximos anos.

Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).