Um vídeo gravado durante o feriado de Tiradentes, em Mariana, gerou repercussão nas redes sociais ao mostrar turistas simulando cenas de violência no pelourinho localizado na Praça Minas Gerais, no Centro Histórico da cidade. As imagens foram divulgadas pelo vereador Pedro Sousa, de Mariana, nas redes sociais.
No vídeo, uma mulher aparece posicionada junto à estrutura e pede, em tom de brincadeira, para ser agredida, enquanto outras pessoas registram a cena e riem. O conteúdo foi compartilhado nos últimos dias e passou a circular em diferentes plataformas.
O episódio foi criticado pelo vereador Pedro Sousa, que afirmou que situações semelhantes já foram observadas anteriormente no município. Segundo ele, o comportamento demonstra desrespeito à memória histórica associada ao período da escravidão.
“Quem nasceu em Mariana já presenciou turistas que se sentem à vontade para ir até a Praça Minas Gerais e gravar vídeos ou tirar fotos imitando pessoas pretas escravizadas no Brasil e em nossa própria cidade”, afirmou o parlamentar em publicação nas redes sociais.
Ainda segundo o vereador, o conteúdo registrado nas imagens reforça estereótipos e ignora o contexto histórico do local.
“Esse tipo de atitude, carregada de estereótipos, dor e desrespeito, fere a dignidade do povo preto, que foi sequestrado da África e, mesmo após tantas marcas da história, ainda precisa lidar com esse tipo de teatro barato”, declarou.
O parlamentar também destacou que a escravidão deve ser compreendida como um dos maiores crimes contra a humanidade e que a história de Mariana está diretamente ligada ao trabalho de pessoas negras escravizadas.
“Turistas que tratam esse sofrimento como entretenimento mostram que ainda precisam aprender muito sobre a história. Para mim, esse tipo de postura não é bem-vinda na nossa cidade”, completou.
Monumento histórico e contexto
O pelourinho de Mariana está localizado na Praça Minas Gerais, entre importantes igrejas históricas, e é associado ao período colonial brasileiro. A estrutura atual é uma réplica instalada na década de 1970, mas remete ao monumento original, utilizado no passado como símbolo de autoridade e espaço de punições públicas.
Historicamente, o pelourinho representava o poder da Coroa Portuguesa e estava ligado à aplicação de castigos físicos, inclusive contra pessoas escravizadas. Atualmente, o local é reconhecido como um marco de memória e reflexão sobre esse período.
Até o momento, não há informações sobre a identificação dos turistas envolvidos nas imagens. O caso levantou discussões sobre a necessidade de reforçar a preservação simbólica de espaços históricos e o comportamento de visitantes em áreas de relevância cultural.







