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CÂMARA DE MARIANA
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Opinião Rodolpho Bohrer [email protected]

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

Voto não transforma bairros de Ouro Preto em capitanias hereditárias

Disputa por protagonismo em bairros e distritos desvia o debate sobre aquilo que deveria importar à população de Ouro Preto.

Publicado em 28/08/2026 às 20:10

Todo vereador acaba construindo uma relação mais próxima com determinados bairros e distritos. É natural. Há comunidades onde concentra votos, conhece mais moradores, acompanha problemas há anos e recebe demandas com maior frequência. Na política, costuma-se chamar isso de reduto eleitoral. Em Ouro Preto, porém, algumas discussões recentes na Câmara Municipal dão a impressão de que reduto eleitoral virou lote registrado em cartório.

O episódio mais recente ocorreu no Morro São Sebastião. Luiz Gonzaga questionou não ter sido chamado para o anúncio de uma área de lazer e lembrou que é o vereador mais votado na comunidade. A votação expressiva explica o vínculo que mantém com o bairro e pode justificar um zelo especial por seus moradores. O que ela não faz é conceder ao parlamentar qualquer direito de preferência sobre ações realizadas ali. O Morro São Sebastião continua pertencendo aos seus moradores e fazendo parte de Ouro Preto.

E essa não é uma questão restrita a Luiz Gonzaga. Discussões semelhantes entre os próprios vereadores já chegaram ao plenário quando o assunto era quem atua em determinada região, quem apresentou primeiro uma demanda ou quem deveria receber os créditos por uma conquista. Um vereador pode trabalhar durante anos por um distrito e merece ter esse trabalho reconhecido. Pode acompanhar cada obra, cobrar cada problema e defender aquela população com especial atenção. Só não pode tratar essa proximidade como uma espécie de demarcação territorial.

Redutos eleitorais não são lotes adquiridos pelos vereadores. Uma comunidade não passa a pertencer ao parlamentar que recebeu mais votos nela. Os 15 vereadores têm mandato para atuar em todo o município e os moradores têm o direito de procurar qualquer um deles. Da mesma forma, ações do Executivo não dependem da anuência do político que considera determinado bairro sua principal base eleitoral.

Ouro Preto já teve importância suficiente na história colonial brasileira para saber que capitanias hereditárias ficaram no passado. Vereador pode ter carinho, história, trabalho e até uma enorme votação em determinada comunidade. Tudo isso faz parte da política. Transformar esse vínculo em sentimento de propriedade é outra coisa. Bairro não tem dono, distrito não tem dono e voto não é escritura.

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