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A Prefeitura de Ouro Preto sancionou a Lei Municipal nº 1.656/2026, que institui a Política Municipal de Turismo LGBTQIAPN+ e cria o Selo Arco-Íris (LGBTQIAPN+OP), destinado a reconhecer estabelecimentos e serviços turísticos que adotem práticas de acolhimento, inclusão e atendimento à população LGBTQIAPN+.

A norma foi publicada na edição de quinta-feira (2) do Diário Oficial do Município e passa a integrar as políticas públicas de turismo já existentes em Ouro Preto, em consonância com a Política Municipal de Turismo e com o Plano Municipal de Turismo.

Segundo o texto da lei, a iniciativa tem como objetivo promover um turismo considerado seguro, inclusivo e livre de discriminação para pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, queer, intersexo, assexuais, pansexuais, não binárias e demais identidades e expressões de gênero e orientação sexual.

O que prevê a nova política?

A legislação estabelece princípios que deverão orientar as ações do poder público relacionadas ao turismo, entre eles:

  • dignidade da pessoa humana;
  • igualdade e não discriminação;
  • respeito à diversidade;
  • hospitalidade inclusiva;
  • segurança turística;
  • valorização do patrimônio cultural;
  • participação social;
  • democratização do acesso ao turismo;
  • redução das desigualdades sociais.

Entre os objetivos previstos estão a qualificação dos serviços turísticos, a prevenção de práticas discriminatórias, a capacitação contínua de trabalhadores do setor, a promoção de Ouro Preto como destino turístico inclusivo e a inclusão dos estabelecimentos certificados nos materiais oficiais de divulgação turística do município.

Como funcionará o Selo Arco-Íris?

A lei também cria o Selo Arco-Íris (LGBTQIAPN+OP), que poderá ser solicitado por hotéis, pousadas, bares, restaurantes, espaços culturais, empresas de entretenimento, transporte turístico, organizadores de eventos e outros empreendimentos ligados ao setor turístico sediados em Ouro Preto.

Para obter a certificação, os estabelecimentos deverão cumprir uma série de requisitos, entre eles:

  • adesão formal ao programa;
  • participação obrigatória em capacitação promovida pelo município;
  • assinatura de compromisso de não discriminação;
  • adoção de protocolo interno para acolhimento e encaminhamento de ocorrências;
  • indicação de responsável pelas ações de inclusão;
  • autorização para fiscalização e monitoramento.

Além disso, a concessão dependerá de análise documental e vistoria técnica.

Quais medidas serão exigidas dos estabelecimentos?

A legislação estabelece algumas políticas obrigatórias para obtenção da certificação.

Entre elas estão:

  • tratamento respeitoso com utilização do nome social e respeito à identidade de gênero;
  • vedação de práticas discriminatórias durante todo o atendimento;
  • disponibilização de canal para registro de reclamações;
  • treinamento periódico das equipes;
  • ações de prevenção e enfrentamento à LGBTfobia;
  • comunicação institucional considerada inclusiva.

Outro ponto previsto na lei determina que os estabelecimentos certificados adotem sanitários que não sejam segmentados entre masculino e feminino, assegurando a privacidade dos usuários por meio de cabines individuais com trancas.

Certificação poderá ser suspensa ou cancelada

O Selo Arco-Íris terá validade de 24 meses e poderá ser renovado mediante nova avaliação.

A lei prevê que a certificação poderá ser suspensa ou cancelada em situações como:

  • comprovação de discriminação, LGBTfobia ou assédio;
  • descumprimento das diretrizes do programa;
  • apresentação de documentação falsa;
  • impedimento da fiscalização;
  • condenação administrativa ou judicial por prática discriminatória.

Antes do cancelamento, deverá ser assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Regulamentação será feita pelo Executivo

Embora a lei já esteja em vigor, diversos procedimentos ainda dependerão de regulamentação por parte da Prefeitura.

O texto estabelece prazo de até 90 dias para que o Poder Executivo publique decreto definindo critérios técnicos, forma de inscrição, pontuação, fiscalização, renovação, suspensão e cancelamento do selo, além da eventual criação de um comitê gestor para acompanhar a execução da política.

Elis Bohrer

Amante da música, compositora e formanda em Jornalismo. No Mais Minas é redatora nas editorias de entretenimento, cidades e moda. Também atua como repórter do portal O Noroeste. [email protected]