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Mariana – 325 anos: muito já foi feito mas tem muito ainda para se conquistar

O que eu queria com esse pequeno texto era trazer para a reflexão o que temos, não temos, o que foi feito, o que não foi feito e o que esperamos, afinal se muito já foi feito, mais vale o que será.

Pedro Luiz Teixeira de Camargo 15 de julho de 2021 às 17:21
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Foto: Mais Minas
Foto: Mais Minas

325 anos não são 325 dias, é realmente muito tempo de vida para uma cidade, como é o caso de Mariana. Famosa por seu belo centro histórico, o município convive com a disparidade entre o já falado centro histórico e seu entorno, com extensas áreas rurais e uma enorme periferia.

Sem dúvida que administrar um município não é um desafio simples, as desigualdades regionais e sociais somadas à falta de verba federal (Emenda Constitucional 95) são constante problema para qualquer gestor público do presente, entretanto nos faz pensar no muito que não foi feito no passado.

Em 2018, segundo dados do Portal da Transparência, Mariana arrecadou R$ 106 milhões somente com um imposto, a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), aí fica a pergunta: que fim levou todo esse recurso?

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Causa muito estranhamento que um município tão rico ainda tenha pessoas passando fome, bem como a presença do crime organizado nas periferias. Será que a cidade não sofreu/sofre de seguidas más administrações?

A dependência do minério não pode ser a principal fonte de riqueza de um município. Da mesma forma, a sua arrecadação precisa dar um retorno social, não pode simplesmente ser gasto sem ganho social.

Uma cidade tricentenária que não tem condições de enfrentar demandas que já eram para terem sido resolvidas a mais de duas décadas, inclusive quando o CFEM era ainda maior do que foi em 2018.

Outro problema que assola Mariana é a falta de água. Sucateado pelo poder público municipal, a autarquia responsável, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) também sofre seguidos ataques, com ideias privatistas sendo ventiladas com alguma frequência nas mídias impressas e digitais.

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A saída para a qualidade da água na Primaz de Minas é o investimento público (inclusive com verba oriunda do CFEM) para garantir um bom serviço a todos os usuários, com o aumento de servidores e a realização do tratamento de esgoto para todos os moradores.

Não se pode, inclusive, pensar em saídas pela direita, à exemplo de sua cidade vizinha, Ouro Preto, que a prefeitura repassou para a empresa Saneouro, gerando inúmeras reclamações dos cidadãos, como foi o caso do protesto realizado no último dia 13 de julho.

O que eu queria com esse pequeno texto era trazer para a reflexão o que temos, não temos, o que foi feito, o que não foi feito e o que esperamos, afinal se muito já foi feito, mais vale o que será.

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Parabéns a Mariana e sigamos firmes lutando por uma cidade de todos, não somente de alguns.

Até a próxima!

* Pedro Luiz Teixeira de Camargo (Peixe) é Biólogo e Professor, Dr. em Ciências Naturais e Docente do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG).

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

Última atualização em 13 de setembro de 2021 às 17:28