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terça-feira, 6 dezembro 2022

Franciele Santana
Franciele Santana
Nutricionista, natural de Ouro Preto/MG, e uma admiradora da arte da escrita, almejo proporcionar saúde compartilhando meus conhecimentos de modo a agregar melhorias na vida do maior número de pessoas possível.

O cretinismo talvez não seja o que você está pensando

A língua portuguesa possui um enorme acervo de palavras com os mais variados significados e possibilidades de uso.

Dentre os tantos vocábulos existentes, muitos são utilizados de modo pejorativo, como por exemplo o termo “cretino”. O que poucos sabem é que esse termo tem relação com a nutrição.

A expressão “cretinismo” é uma denominação das síndromes de deficiência congênita de iodo, no entanto, a palavra “cretino” atualmente não é mais usada como forma de denominar o paciente acometido por tais síndromes, como ocorria no passado.

O vocábulo tem sua origem na idade média, em certos povoados localizados entre as montanhas dos Alpes e dos Pirineus, onde a deficiência de iodo na comida causava problemas graves de saúde, como o bócio. Os habitantes nasciam deformados fisicamente, com pouca inteligência, baixa estatura, pálidos e com a pele murcha. Por compaixão e empatia, para evitar discriminações e agressões, costumava-se advertir que eles também eram filhos de Deus, eram ‘cristãos’, apesar da doença acometida. A palavra cristão em francês é  chrétien, do latim christianus.

No entanto, a iniciativa em vez de eliminar a discriminação contra os deficientes, produziu efeito contrário, e devido ao fato do bócio provocar a parada do desenvolvimento físico e mental,  o termo crétin ou cretino acabou adquirindo na linguagem leiga uma conotação depreciativa, tornando-se sinônimo de um sujeito estúpido, idiota,  tolo, boçal, dentre outros vocábulos ultrajantes.

Dentre as causas dos distúrbios por deficiência de iodo podemos citar o consumo de alimentos oriundos de solos pobres em iodo; uso de sal não iodado na alimentação e o baixo consumo de alimentos ricos em iodo.

Os principais alimentos ricos em iodo são os de origem marinha (ostras, moluscos, mariscos e peixes de água salgada); leite e ovos também são fontes de iodo, desde que oriundos de animais que tenham pastado em solos ricos em iodo ou que foram alimentados com rações que continham o nutriente; vegetais oriundos de solos ricos em iodo também são boas fontes.

É importante notarmos o quanto o preconceito pode estar enraizado em nossa cultura e ser disseminado muitas vezes sem que se tenha ciência disso. Nossa língua é tão rica que não faz sentido utilizarmos de termos médicos, ou denominações de deficiências de forma pejorativa com o intuito de se rebaixar alguém. Dessa forma, é de grande importância pensarmos melhor a respeito das palavras que usamos, bem como suas origens e significados.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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