A luta antimanicomial voltou às ruas de Itabirito na última quinta-feira, 21 de maio. Usuários, familiares e profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) dos municípios de Itabirito, Mariana e Ouro Preto participaram de um cortejo organizado pela Secretaria Municipal de Saúde para marcar a data e discutir o cuidado em saúde mental no Brasil.
A caminhada teve início em frente à Prefeitura e percorreu ruas da cidade. Ao longo do trajeto, os participantes realizaram apresentações artísticas e musicais, incluindo composições produzidas pelos próprios usuários dos serviços de saúde mental.
O movimento da luta antimanicomial surgiu no Brasil na década de 1980 e defende a substituição do modelo centrado em internações de longa permanência por uma rede de atendimento baseada em serviços comunitários, acompanhamento multiprofissional e integração social. A proposta está relacionada à Reforma Psiquiátrica Brasileira, que resultou na criação de políticas voltadas à ampliação dos direitos das pessoas com sofrimento mental.

O que defende a luta antimanicomial?
A principal bandeira do movimento é o tratamento em liberdade. A luta antimanicomial questiona modelos de isolamento em instituições psiquiátricas e defende que o cuidado em saúde mental seja realizado, sempre que possível, em espaços integrados à comunidade, com participação da família e acesso a serviços públicos especializados.
Nesse contexto, a Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde (SUS) reúne equipamentos como Centros de Atenção Psicossocial (Caps), unidades básicas de saúde, residências terapêuticas e serviços hospitalares, formando uma estrutura voltada ao acompanhamento de pessoas com transtornos mentais e necessidades relacionadas ao uso de álcool e outras drogas.
Durante o cortejo, os organizadores destacaram a importância da participação social e da discussão permanente sobre as políticas públicas voltadas à saúde mental.
“Essa é uma oportunidade de fortalecer a caminhada, que é de todos, reafirmando que o tratamento se faz em liberdade. A luta antimanicomial é uma luta diária por dignidade, inclusão e cuidado humanizado”, afirmou a coordenadora técnica em Saúde Mental de Itabirito, Silvana Mendanha.
Por que o tema continua em debate?
Especialistas e entidades da área apontam que a discussão permanece atual devido aos desafios relacionados ao acesso aos serviços de saúde mental, à inclusão social e ao combate ao estigma enfrentado por pessoas com transtornos mentais.
Além de envolver profissionais da área, o debate também alcança familiares, usuários dos serviços e gestores públicos, uma vez que a organização da rede de atendimento depende da atuação conjunta de diferentes setores.
O vice-prefeito e chefe de gabinete de Itabirito, Raphael Rondow, destacou a participação dos municípios na mobilização. “É muito importante ver municípios unidos em torno de causas como respeito à vida, inclusão e direitos dos cidadãos. A iniciativa demonstra a força do trabalho coletivo e o compromisso de construir uma sociedade mais acolhedora”, afirmou.
A atividade integrou as ações realizadas em referência ao Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, data que relembra o movimento pela reforma do modelo de assistência psiquiátrica no país e a defesa dos direitos das pessoas atendidas pelos serviços de saúde mental.







