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Ouro Preto continua sem atingir as metas de qualidade da educação no ensino fundamental. Os novos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgados pelo Inep na última quarta-feira (5), mostram que, apesar da evolução em relação à última avaliação, o município permanece abaixo dos objetivos estabelecidos e distante do desempenho alcançado por Itabirito, cidade vizinha que atingiu ou superou as metas nas duas etapas avaliadas.

Os números oficiais mostram que Ouro Preto avançou tanto nos anos iniciais quanto nos anos finais do ensino fundamental. Esse crescimento, porém, foi insuficiente para atingir as metas estabelecidas para 2021, que continuam servindo como referência para a comparação dos resultados.

O que é o Ideb e como ele é calculado?

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é o principal indicador utilizado pelo governo federal para medir a qualidade da educação básica no Brasil. Criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ele é divulgado a cada dois anos e permite comparar o desempenho das redes de ensino e dos municípios ao longo do tempo.

O índice varia de 0 a 10 e é calculado a partir da combinação de dois fatores: o desempenho dos estudantes nas provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que avaliam os conhecimentos em Língua Portuguesa e Matemática, e a taxa de aprovação escolar, que mede o fluxo dos alunos entre as séries.

Na prática, o Ideb busca mostrar não apenas se os estudantes estão aprendendo, mas também se conseguem avançar na trajetória escolar sem repetência ou abandono.

Embora o novo Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado em 2026, tenha adotado novos critérios para acompanhar a qualidade do ensino, o Ideb continua sendo o principal indicador para comparar o desempenho da educação básica entre municípios, estados e o país.

O que mede o Ideb e por que alguns décimos fazem diferença?

O Ideb não corresponde à nota obtida pelos alunos em uma prova. O índice combina o desempenho dos estudantes nas avaliações do Saeb com as taxas de aprovação escolar, formando uma nota que varia de 0 a 10. Por isso, diferenças aparentemente pequenas, como 0,3 ou 0,5 ponto, são consideradas relevantes. Para que um município avance alguns décimos, normalmente é necessário melhorar simultaneamente a aprendizagem e reduzir reprovações e abandono escolar.

Ouro Preto melhora, mas continua abaixo das metas

Nos anos iniciais do ensino fundamental, que abrangem do 1º ao 5º ano, Ouro Preto passou de 5,5, em 2023, para 6,0 em 2025 nas notas do Ideb. Apesar da evolução, a nota permaneceu abaixo da meta de 6,3.

Nos anos finais, do 6º ao 9º ano, o município registrou avanço de 4,6 para 4,9, mas continuou distante da meta de 5,5.

Os números indicam que houve recuperação da aprendizagem, mas em ritmo inferior ao necessário para alcançar os níveis de qualidade esperados.

Desempenho de Ouro Preto

Anos iniciais

  • Ideb 2023: 5,5
  • Ideb 2025: 6,0
  • Meta: 6,3

Anos finais

  • Ideb 2023: 4,6
  • Ideb 2025: 4,9
  • Meta: 5,5

Itabirito lidera entre os municípios da região

A comparação com um dos municípios vizinhos evidencia diferenças importantes.

Nos anos iniciais, Itabirito alcançou 6,9, atingindo integralmente sua meta. Ouro Branco registrou 6,6, enquanto Ouro Preto e Mariana ficaram com 6,0.

Nos anos finais, Itabirito voltou a liderar, com 6,2, superando a meta de 5,9. Ouro Branco obteve 5,2, Ouro Preto chegou a 4,9 e Mariana registrou 4,7.

A diferença entre Ouro Preto e Itabirito chama atenção principalmente nos anos finais do ensino fundamental. Enquanto o município vizinho ultrapassou a meta estabelecida, Ouro Preto permaneceu 0,6 ponto abaixo do objetivo.

Comparativo regional – Anos iniciais

MunicípioIdeb 2025Meta
Itabirito6,96,9
Ouro Branco6,66,8
Ouro Preto6,06,3
Mariana6,06,0

Comparativo regional – Anos finais

MunicípioIdeb 2025Meta
Itabirito6,25,9
Ouro Branco5,25,7
Ouro Preto4,95,5
Mariana4,74,9

Mais arrecadação, mas metas ainda não foram alcançadas

Apesar de figurar entre os municípios de maior arrecadação de Minas Gerais, Ouro Preto ainda não conseguiu atingir as metas de qualidade da educação básica estabelecidas para o ensino fundamental.

Impulsionada principalmente pela mineração, Ouro Preto possui uma das maiores arrecadações de Minas Gerais. Somente entre janeiro e julho deste ano, a Prefeitura arrecadou R$ 562,4 milhões em receitas correntes, valor 11,3% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Mesmo com essa capacidade financeira, o município ainda não conseguiu atingir as metas de qualidade da educação básica nas duas etapas avaliadas pelo Ideb.

Os números, por si só, não apontam as causas desse desempenho, mas reforçam um debate recorrente entre especialistas: mais recursos não significam, necessariamente, melhores resultados na aprendizagem. Gestão, formação de professores, permanência dos estudantes e continuidade das políticas educacionais também influenciam diretamente os resultados.

Com uma arrecadação R$ 57 milhões superior à registrada no mesmo período do ano passado, Ouro Preto passa a dispor de mais recursos para investir na rede municipal de ensino. A próxima divulgação do Ideb deverá indicar se o aumento da arrecadação será convertido em melhorias concretas na aprendizagem dos estudantes e na qualidade da educação pública do município.

O contraste fica ainda mais evidente quando a comparação é feita com municípios vizinhos. Itabirito e Ouro Branco também têm a mineração entre as principais atividades econômicas e sofreram os efeitos da desaceleração do setor sobre suas receitas. Ainda assim, registraram desempenho superior ao de Ouro Preto no Ideb, especialmente Itabirito, que alcançou ou superou as metas nas duas etapas do ensino fundamental.

Dados do Brasil

Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Brasil alcançou 6,3, superando a meta prevista para 2021.

Já nos anos finais, a nota nacional foi 5,3, abaixo da meta de 5,5.

O maior desafio continua sendo o ensino médio. Em 2025, o país obteve nota 4,5, distante da meta de 5,2 e abaixo até mesmo do objetivo previsto para 2017.

Para especialistas em educação, embora os indicadores mostrem recuperação após os impactos da pandemia, os níveis de aprendizagem ainda permanecem inferiores ao esperado, especialmente entre os estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio.

Os resultados mostram que Ouro Preto avançou, mas ainda não alcançou o nível de qualidade esperado para o ensino fundamental. Em um município que figura entre os de maior arrecadação de Minas Gerais, o novo Ideb deixa uma pergunta inevitável: como transformar uma capacidade financeira acima da média em uma educação capaz de alcançar as metas estabelecidas?

Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).