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Semana do Meio Ambiente: veja 14 filmes sobre povos indígenas, desmatamento e mais temas

Rodolpho Bohrer 6 de junho de 2020 às 08:00
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Para lembrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, o diretor do Jardim Botânico da UFJF, professor Gustavo Soldati, apresenta uma lista com 12 documentários, um drama e uma entrevista sobre a temática ambiental.

A primeira referência para a elaboração da lista, conforme Soldati, “é o ‘Projeto Político Pedagógico do Jardim Botânico’, documento que orienta as ações de educação ambiental e que se alicerça nos conceitos de ‘justiça ambiental’ e ‘ecologia dos saberes’; também favorecemos produções nacionais que demonstram a nossa realidade”.

Estamira – (Marcos Prado, 2006)

“Tendo como recorte a vida de Estamira, uma mulher que vive em um lixão, o filme é capaz de explicitar as chagas de uma sociedade que não deu certo. A lucidez de Estamira, porventura confundida como loucura, sintetiza um projeto civilizatório marcado pelo machismo, opressão, expropriação do homem pelo homem. Se tivéssesmos que escolher apenas um filme para a temática ambiental, este seria Estamira.”

Ilha das flores – (Jorge Furtado, 1989)

“Um dos mais premiados documentários nacionais não poderia ficar de fora. O filme busca responder o que coloca os seres humanos da Ilha das Flores depois dos porcos na prioridade de escolha de alimentos. Discute, assim, como os diferentes atores  de nossa sociedade não acessam a biodiversidade de forma igualitária, sendo esta uma grande questão ambiental.”

O veneno está na mesa – (Silvio Tendler, 2011)

“Outro conhecido clássico que não poderia ficar de fora. Fruto de um histórico de concentração de renda e terra, apropriação dos recursos genéticos e uso exacerbado de agrotóxicos, as monoculturas e os grandes rebanhos são uma das principais atividades que comprometem a biodiversidade e adoecem a nossa sociedade. O filme ainda anuncia a agroecologia como saída para a crise ambiental.”

Chico Mendes, a Preservação da Floresta Amazônica – (Associação dos Geógrafos do Brasil, 1988)

“A convite do professor Carlos Walter Porto Gonçalves, um dos maiores pensadores sobre as temáticas ambientais do país, Chico Mendes explica sua luta e como a preservação da biodiversidade é condição de sobrevivência dos povos dos campos, das florestas e das águas. Há muitos filmes sobre um dos maiores símbolos da luta ambiental do Sul Global, escolhemos este relato histórico e pouco conhecido. Se para o ministro do Meio Ambiente não importa quem é Chico Mendes, para nós sim.”

Mataram Irmã Dorothy – (Daniel Junge, 2009)

Sinopse: Em fevereiro de 2005, a irmã Dorothy Stang, de 73 anos, foi brutalmente assassinada. Ativista na defesa do meio ambiente e das comunidades exploradas por madeireiros e donos de terra na Amazônia, a freira foi morta com seis tiros no interior do Pará. O documentário revela os bastidores do julgamento dos assassinos de Dorothy e investiga as razões de sua morte.

No Rio e no Mar – (Jan Willem Den Bok e Floor Koomen, 2016)

“Das águas vêm a luta e a fala das pescadoras e dos pescadores da Ilha de Maré, Bahia, contra a poluição química causada pela Petrobras e outros empreendimentos que destroem a Baía de Todos os Santos, colocando em risco o modo de vida tradicional pesqueiro.”

Sempre Viva – (Tiago Carvalho, 2015)

“Na Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, comunidades tradicionais defendem seu direito de manejar as campinas onde há séculos colhem flores sempre-vivas e criam gado. Nos últimos anos, a criação de parques de conservação integral na região interditou o acesso dos apanhadores de flores a seus territórios, comprometendo a conservação da sociobiodiversidade.”

O Mundo segundo a Monsanto – (Marie-Monique Robin, 2008)

“Vivemos um período de consolidação de grandes corporações que definem o que comemos, vestimos, fazemos e pensamos. Comprada pela Bayer em 2016, a Monsanto é a líder mundial na produção do glifosato, o agrotóxico mais consumido no mundo. Este filme documenta o ‘modus operandis’ da Monsanto, que é apenas uma peça do império agroalimentar a que estamos submetidos.”

Belo Monte: o Anúncio de uma Guerra – (André D’Elia, 2012)

“O filme destaca o processo de implementação da Usina de Belo Monte, a terceira maior do mundo, um exemplo de grandes empreendimentos que afetam a biodiversidade. O filme relata a luta dos Kaiapós contra a construção e evidencia um dos episódios mais marcantes da luta ambiental brasileira, quando Tuira aponta um facão para o rosto do presidente da Eletronorte.”

Rachel Carson – (Michelle Ferrari, 2017)

“Documentário norte-americano sobre a vida e a obra da bióloga Rachel Carson. O filme retrata como a paixão de uma mulher pelo mar mudou completamente os rumos da humanidade. O seu livro ‘Primavera Silenciosa’ (1962) é tido como um divisor de águas na compreensão da relação entre a sociedade industrial e os recursos naturais.”

A Lei da Água – (André D’Elia, 2015)

“Este filme discute a geopolítica mundial que sustentou a construção do Novo Código Florestal Brasileiro. Os depoimentos explicitam as nuances de diferentes discursos ambientalistas e projetos de sociedade. É um ótimo material para evidenciar como a biodiversidade é um eixo transversal em muitas discussões atuais.”

Para Onde Foram as Andorinhas? – (Mari Corrêa, 2016)

“O filme mostra de forma sensível como os povos que habitam o Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sentindo em seu dia a dia os impactos das mudanças do clima: seja em sua base alimentar, em seus sistemas de orientação no tempo, em sua cultura material e em seus rituais. Eles estão preocupados com futuro de seus netos, das novas gerações. Com o mundo que vão deixar de herança para eles.”

Índio, Cidadão? – (Rodrigo Siqueira, 2014)

“Documentário que retrata a ‘guerra sem fim’ vivenciada pelas nações indígenas do nosso país, na luta pelos seus direitos, especialmente ao território. O filme evidencia como nossos povos originários são tratados pelo Estado.”

O Abraço da Serpente – (Ciro Guerra, 2016)

“Belíssimo filme que explora diversas questões sobre o encontro das sociedades indígenas e europeias. Este filme evidencia que outras formas de estar no mundo e se relacionar com a biodiversidade são possíveis.”

Fonte: UFJF