Nutrição e AlimentaçãoSaúde

Existe razão para exclusão de carboidratos durante o tratamento do câncer?

Em "Nutrição: onde o mito não tem vez", o Mais Minas traz uma série sobre os principais métodos de emagrecimento divulgados pela mídia, buscando proporcionar o máximo de informação possível, a fim de esclarecer os principais propósitos e a eficácia ou não de cada um deles.

Devido ao grande risco associado à veiculação de informações infundadas, no ano de 2018, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) lançou uma cartilha (Dietas restritivas e alimentos milagrosos durante o tratamento do câncer: fique fora dessa!) desvendando os principais mitos associados a dietas restritivas e alimentos milagrosos no tratamento do câncer, temas  estes que são frequentemente abordados nas mídias.

Com base nisso, torna-se imprescindível que os mitos sejam esclarecidos e divulgados, a fim de evitar os possíveis prejuízos causados pela crença neles, e permitir que sejam tomadas atitudes realmente benéficas para a saúde do paciente com câncer.

Na semana passada, desvendamos o primeiro mito que relaciona à restrição de carboidrato como peça chave no tratamento do câncer. Se você ainda não leu, veja aqui o artigo completo. Nesta semana, desvendaremos mais um mito que envolve o tratamento do câncer e as dietas restritivas.

O segundo mito a ser desvendado é o de que cortar carboidratos ajuda no tratamento do câncer, pois a quimioterapia não surtirá efeitos caso o paciente consuma carboidratos.

Existem alguns estudos que sugerem que a dieta cetogênica (pobre em carboidratos e rica em gorduras e proteínas) possa conferir benefícios no tratamento do câncer, porém os mecanismos que conferem às dietas cetogênicas os efeitos anticancerígenos, quando combinadas com rádio e quimioterapia, ainda não foram completamente elucidados. Além disso, os estudos são inconclusivos quanto aos tipos de tumor e estágio da doença em que  a dieta cetogênica pode funcionar, e por quanto tempo a restrição de carboidratos pode ser mantida sem gerar prejuízos ao paciente em tratamento.

A adesão a dietas que prometem benefícios na cura do câncer é uma conduta arriscada, visto que uma restrição alimentar pode ocasionar perdas significativas de peso e massa muscular, e assim gerar menor tolerância ao tratamento, visto que o câncer é uma doença que gera alto gasto energético.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) orienta que os profissionais não recomendem as dietas milagrosas (detox, low carb e nem cetogênica) e que os pacientes não sigam qualquer dieta por conta própria, visto que ainda não existem evidências científicas de que tais dietas possuam efeito benéfico durante o tratamento de câncer, nem mesmo de que o consumo de carboidratos prejudica o funcionamento da quimioterapia.

De maneira geral o que pode ser orientado é que se tenha uma alimentação saudável, baseada em “comida de verdade”, ou seja, alimentos o mais frescos e naturais possíveis evitando ao máximo os  alimentos ultra processados.

Constantemente são feitos estudos para analisar o efeito de determinadas dietas no tratamento do câncer, a fim de se verificar a possibilidade de novas condutas mais promissoras, porém até o momento não existem evidências que justifiquem recomendações diferentes das tradicionais. Dessa forma, uma alimentação nutricionalmente equilibrada ainda é a prática indicada tanto para prevenção quanto tratamento do câncer.

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