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Fazer dieta ou alimentar-se bem, qual a sua escolha?

Os hábitos alimentares são construídos por meio da experiência familiar e social do indivíduo, que é constantemente bombardeado por informações dos meios de comunicação mais influentes, que por meio do oferecimento de conteúdos de fácil acesso e isentos de fiscalização, colaboram para o aparecimento de conceitos inadequados a respeito de saúde, o que favorece o aumento da veiculação de dietas nutricionalmente  impróprias, dentre elas podemos destacar as mais conhecidas: Dieta dos pontos, Dieta da sopa, Dieta Dukan,  Ravenna e Paleolítica.

Na dieta dos pontos não existe restrição de alimentos, porém nela cada alimento é classificado com um valor numérico de acordo com seu valor calórico, e assim existe um máximo de pontos que não deve ser ultrapassado até ao final do dia. Não sendo uma dieta vantajosa devido ao fato de valorizar o valor calórico do alimento em vez do valor nutricional.

A dieta da sopa consiste na ingestão de alimentos exclusivamente líquidos, porém em um curto e delimitado período, pois seguí-la em longos períodos será fisiologicamente prejudicial, visto que apresenta um valor calórico muito restrito e uma baixa quantidade de nutrientes essenciais a uma alimentação saudável e ao bom funcionamento do organismo.

A dieta Dukan foi desenvolvida por um médico francês, conhecido por Dr. Pierri Dukan. Esta dieta é predominantemente hipocalórica e cetogênica com liberado consumo de lipídios e proteínas e restrição para o carboidrato1.

A dieta Ravenna foi desenvolvida pelo Dr. Máximo Ravenna e tem como característica uma dieta hipocalórica, distribuída em quatro refeições ao longo do dia, observando o índice glicêmico dos carboidratos. São características marcantes dessa dieta as pequenas porções de comida, e a intervenção objetivando diminuir a compulsão alimentar2.

A dieta paleolítica recebeu esse nome por ser uma dieta conhecida dos nossos ancestrais e prioriza o consumo de “Comida de verdade”, como nossos antepassados faziam, evitando o consumo de alimentos industrializados, grãos (cereais e leguminosas), farináceos e bebidas doces, caracterizando mais um estilo de vida do que uma dieta em si.

Todas as dietas supracitadas, com exceção da paleolítica, são baseadas em quantidades muito restritas de calorias e/ou nutrientes, proclamando uma perda de peso de maneira rápida. As dietas da moda impõem métodos não individualizados, que preconizam que qualquer indivíduo pode fazer uso, não respeitando, assim, suas preferências, sua rotina e sua cultura. A Dieta Paleolítica pode ser classificada como um estilo de vida, bem próximo ás recomendações do guia alimentar para a população brasileira3, mostrando os benefícios do consumo de alimentos orgânicos e os malefícios dos industrializados; não prometendo perda de peso em curto espaço de tempo nem mistificando um grupo alimentar, tendo uma preocupação maior com a saúde do que com o peso mostrado pela balança.

Para perder peso, é necessário ingerir menos energia de modo a forçar a mobilização da gordura corpórea armazenada. Porém, a diminuição drástica de energia e nutrientes, a médio e longo prazos, ocasiona desequilíbrios metabólicos importantes, como a formação de corpos cetônicos e sobrecarga do fígado e dos rins.

A alimentação saudável deve fornecer água, carboidratos, proteínas, lipídeos, vitaminas, fibras e minerais, os quais são insubstituíveis ao bom funcionamento do organismo. Segundo Silva e Pottier4 durante a restrição severa de carboidrato são esvaziadas as reservas de glicogênio e água, consequentemente a perda de peso poderia ser predominantemente de fluidos, repercutindo em uma desidratação ao invés da perda de gordura corporal, mostrando uma diferença na balança, mas não um verdadeiro emagrecimento.

Não existe um nutriente ou alimento específico que seja o causador do ganho de peso, por isso o ideal é que não se faça restrições de nenhum grupo alimentar. O ganho de peso está associado a diversos fatores, dentre eles o consumo excessivo de alimentos industrializados e o sedentarismo, portanto, é necessário que se tenha no prato representantes de todos os grupos de alimentos (em porções específicas para cada pessoa) e que se pratique atividade física frequentemente de modo a gastar a energia que porventura esteja sendo consumida em excesso nas refeições diárias.

O método mais eficiente para perda de peso é a reeducação alimentar, pois a mesma baseia-se nas próprias escolhas do indivíduo, respeitando suas preferências, sua rotina diária e satisfazendo suas necessidades na medida certa, sem excessos nem privações, criando hábitos que podem e devem ser mantidos por toda a vida, garantindo mudanças lentas, porém duradouras e sem nenhum prejuízo para a saúde e bem-estar.

Referencias

  1. P. O método ilustrado: Eu não consigo emagrecer.7. Ed. São Paulo, BestSeller, 2013.
  2. M. A teia de aranha alimentar – quem come quem? Rio de janeiro Guarda-chuva; 2006
  3. Ministério da saúde. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília-DF; 2014.
  4. SILVA, M. H. G. G.; POTTIER, M. S. Dietas milagrosas aplicadas ao tratamento da obesidade. In: Obesidade. Rio de Janeiro: Medsi, cap. 24. p. 377-384; 2004.

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