Estudo comprova contaminação em poeira e solo de Mariana, mas dados são escondidos da população, diz Agência

NEWSLETTTER

RECEBA O NOSSO BOLETIM DE NOTÍCIAS DIARIAMENTE
Digite seu Nome:

Digite seu E-mail:

Escolha o tipo e/ou às localidades que você deseja receber notícias -

Destaques

Coronavírus: crianças homenageiam profissionais da saúde de Congonhas

Os profissionais de saúde de Congonhas foram surpreendidos com palavras e desenhos de gratidão de dezenas de crianças congonhenses....

Incêndio em fábrica de Ribeirão das Neves deixa uma pessoa ferida

Um senhor de idade ainda não divulgada foi vítima das chamas que atingiram a fábrica de tecido Ematex, localizada...

Vale é obrigada a retirar animais de área de barragem em Ouro Preto

Após elevação do nível 2 de emergência na mina Doutor, em Ouro Preto, ocorrida na última quarta-feira, 1º de...

Cadastro para receber auxílio emergencial de R$ 600 começará na terça-feira (7)

O Governo Federal lança na próxima terça-feira (07.04) um aplicativo para os trabalhadores sem cadastro nos programas sociais inserirem...

Como higienizar compras feitas por delivery durante a quarentena

Os brasileiros que já estavam se adaptando aos aplicativos que oferecem o serviço de delivery de comida pronta, como...

Nesta terça-feira (5), se completaram quatro anos do rompimento da barragem da Samarco em Mariana. Mesmo depois desse tempo, os estragos deixados pela lama ainda permanecem, e, talvez, fiquem ainda muitos e muitos anos. Além da perda de vidas, material e sentimental, rios e solos também foram prejudicados. Por isso, a Fundação Renova, responsável pela reparação dos danos da tragédia, encomendou um Estudo de Avaliação de Risco à Saúde Humana (ARSH), realizado pela empresa Ambios Engenharia e Processos, que comprovou que o solo e a poeira proveniente da lama estão contaminadas com altos índices de metais pesados.

O estudo coletou amostras em oito distritos que pertencem à Mariana e à Barra Longa, ao longo de 2018. Os de Mariana são: Bento Rodrigues, Camargos, Ponte do Gama, Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Pedras, Borba e Campinas. E os de Barra Longa: Barretos, Mandioca, Gesteira, Volta da Capela.

Estudo comprova contaminação em poeira e solo de Mariana, mas dados são escondidos da população
Crédito da foto: Daniela Fichino/Justiça Global

A pesquisa feita pela empresa teve sua conclusão e envio para à Renova no dia 22 de março de 2019. Logo após, no dia 17 de maio, os dados foram enviados para a Secretaria de Estado de Saúde de Minas, que também fizeram estudos das amostras.

Até hoje, os moradores de Mariana e Barra Longa ainda não têm conhecimento oficial do risco a que estão expostos. Eles não sabem dos danos à saúde que o contato com os rejeitos de minério, que fazem parte da terra, e das águas poluídas do Rio Doce, podem causar a curto, médio e longo prazo.

A Agência Pública teve acesso ao arquivo completo do estudo. Veja.

Resultados

Na poeira, foram encontrados cádmio, níquel, zinco e cobre, que estão acima dos limites de segurança permitidos na legislação do país. As concentrações de cádmio, estão 17 vezes maiores do que o valor aceito. Esse metal é considerado tóxico e cancerígeno para os seres humanos, segundo a Agência Internacional para Pesquisa do Câncer. A concentração de níquel está presente 5 vezes acima dos padrões.

Esses metais podem causar diversas alergias, que possuem coceira, vermelhidão na pele, tosse e congestão nasal como sintomas, de acordo com a pesquisa feita.

Estudo comprova contaminação em poeira e solo de Mariana, mas dados são escondidos da população
Crédito da foto: Daniela Fichino/Justiça Global

Na pesquisa, também foram analisados alguns alimentos que possuem contato direito com o rejeito, (como frutas), e também em alimentos provenientes de animais (leite e ovo). As águas do Rio Doce também foram analisadas. Em nenhum deles foi encontrado uma quantidade alarmante de metais pesados para a saúde. Mas os pesquisadores alertam que a longo prazo pode haver sim algum risco.

Ainda de acordo com o relatório, as cidades foram classificadas como “Local de Perigo Categoria A: Perigo urgente para a Saúde Pública”, que significa “que existe um perigo para a saúde das populações expostas aos contaminantes definidos através da ingestão, inalação ou absorção dérmica das partículas de solo superficial e/ou da poeira domiciliar contaminadas”.

Omissão das informações

Desde agosto deste ano, foi solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF), que a Renova e o governo tornassem públicos os resultados aos atingidos, porém, isso não aconteceu. Com isso, adiaram ações necessárias que poderiam minimizar os impacto à saúde dos moradores.

Estava previsto que a comunicação aos atingidos deveria acontecer entre os dias 22 a 25 de setembro. Porém, a pedido do Estado, as atividades foram adiadas por noventa dias. Com isso, a informação só chegará aos atingidos no dia 22 de dezembro.

Em nota, a Renova justifica o atraso. “Em cumprimento à Nota Técnica 11/2017, todos os dados, informações e relatórios produzidos pelo estudo são proibidos de serem publicados pelas instituições contratadas e pela Fundação Renova, sem autorização das autoridades públicas.

Danos à saúde

No ano passado, de acordo com pesquisas independentes, já havia fatos que comprovavam que cerca de 11 pessoas tinham sido contaminadas por metais pesados. E agora, com o resultado da primeira fase do estudo, é possível entender e justificar o aumento do número de problemas respiratórios e dermatológicos da população.

“Estes metais têm diferentes graus de potencial tóxico, ou lesivo, à saúde humana. Ações de saúde específicas devem ser implementadas para a prevenção, diagnóstico e tratamento dos possíveis agravos à saúde. A população deve ser monitorada para a exposição que ocorreu no passado, ainda ocorre, e pode vir a ocorrer no futuro, caso medidas de interrupção da exposição não venham a ser adotadas”, recomendam.

A Ambios destacou no estudo que o desastre em Mariana trouxe consequências na saúde e qualidade de vida da população estudada, e que essas consequências superam o efeito danoso específico dos metais pesados na saúde, e que essas consequências continuam fazendo vítimas.

*Com informações da apublica.org.

Veja também: Após 4 anos do rompimento da barragem, atingidos protestam em Mariana e no Espírito Santo

 

- Advertisement -