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O Governo de Minas Gerais anunciou o fechamento definitivo do Hospital Colônia de Barbacena após a transferência dos últimos pacientes ainda internados. A medida encerra a utilização de uma estrutura que marcou a história da saúde mental no país.

Segundo o governo estadual, 12 pacientes remanescentes serão encaminhados para outra unidade de saúde do município. Eles não possuem vínculo familiar e apresentam condições específicas de atendimento.

O Hospital Colônia ficou conhecido ao longo do século XX pelo grande número de internações e pelas condições enfrentadas por pacientes. O local passou a ser associado a práticas que hoje são reconhecidas como violações de direitos humanos.

A história do hospital ganhou repercussão nacional, e até internacional, com a publicação do livro-reportagem “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que estima mais de 60 mil mortes no local durante o seu funcionamento.

Imagem feita em 1961 no Hospital Colônia de Barbacena – Fotógrafo: Luiz Alfredo

Mesmo após o fim das atividades como hospital psiquiátrico tradicional, a estrutura ainda permanecia em funcionamento parcial. O espaço atualmente operava como Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena e também abriga o Museu da Loucura.

A desativação definitiva ocorre em um momento em que o passado da instituição volta ao debate público. Em março deste ano, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou um pedido público de desculpas pelo uso de corpos de vítimas do Hospital Colônia em atividades acadêmicas ao longo do século XX.

A universidade reconheceu que a prática violou a dignidade das pessoas e afirmou que o posicionamento faz parte de um processo de revisão histórica. O caso envolve a destinação de corpos de pacientes para instituições de ensino após a morte.

Levantamentos históricos indicam que milhares de pessoas morreram no hospital ao longo de décadas. Parte dessas vítimas foi enterrada como indigente ou teve os corpos encaminhados para uso acadêmico.

O pedido de desculpas da UFMG foi acompanhado do anúncio de medidas voltadas à preservação da memória e à discussão sobre direitos humanos no ensino e na pesquisa.

O fechamento definitivo do Hospital Colônia ocorre paralelamente a esse movimento de reconhecimento institucional, reforçando o debate sobre o legado do modelo manicomial no Brasil e as transformações na política de saúde mental.

A nova rede de atendimento no município inclui a ampliação de unidades básicas de saúde e a reorganização dos serviços, com foco em atendimento descentralizado.

O encerramento da estrutura marca o fim de um espaço histórico, ao mesmo tempo em que mantém em evidência a necessidade de reflexão sobre práticas adotadas no passado e seus impactos.

Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).