O Governo de Minas Gerais anunciou o fechamento definitivo do Hospital Colônia de Barbacena após a transferência dos últimos pacientes ainda internados. A medida encerra a utilização de uma estrutura que marcou a história da saúde mental no país.
Segundo o governo estadual, 12 pacientes remanescentes serão encaminhados para outra unidade de saúde do município. Eles não possuem vínculo familiar e apresentam condições específicas de atendimento.
O Hospital Colônia ficou conhecido ao longo do século XX pelo grande número de internações e pelas condições enfrentadas por pacientes. O local passou a ser associado a práticas que hoje são reconhecidas como violações de direitos humanos.
A história do hospital ganhou repercussão nacional, e até internacional, com a publicação do livro-reportagem “Holocausto Brasileiro”, de Daniela Arbex, que estima mais de 60 mil mortes no local durante o seu funcionamento.

Mesmo após o fim das atividades como hospital psiquiátrico tradicional, a estrutura ainda permanecia em funcionamento parcial. O espaço atualmente operava como Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena e também abriga o Museu da Loucura.
A desativação definitiva ocorre em um momento em que o passado da instituição volta ao debate público. Em março deste ano, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) divulgou um pedido público de desculpas pelo uso de corpos de vítimas do Hospital Colônia em atividades acadêmicas ao longo do século XX.

A universidade reconheceu que a prática violou a dignidade das pessoas e afirmou que o posicionamento faz parte de um processo de revisão histórica. O caso envolve a destinação de corpos de pacientes para instituições de ensino após a morte.
Levantamentos históricos indicam que milhares de pessoas morreram no hospital ao longo de décadas. Parte dessas vítimas foi enterrada como indigente ou teve os corpos encaminhados para uso acadêmico.
O pedido de desculpas da UFMG foi acompanhado do anúncio de medidas voltadas à preservação da memória e à discussão sobre direitos humanos no ensino e na pesquisa.
O fechamento definitivo do Hospital Colônia ocorre paralelamente a esse movimento de reconhecimento institucional, reforçando o debate sobre o legado do modelo manicomial no Brasil e as transformações na política de saúde mental.
A nova rede de atendimento no município inclui a ampliação de unidades básicas de saúde e a reorganização dos serviços, com foco em atendimento descentralizado.
O encerramento da estrutura marca o fim de um espaço histórico, ao mesmo tempo em que mantém em evidência a necessidade de reflexão sobre práticas adotadas no passado e seus impactos.







