Após restaurações, Igrejas são reabertas em Congonhas-MG

por Rodolpho Bohrer

Neste mês de março, a cidade de Congonhas concluiu a restauração de mais um símbolo importante do patrimônio histórico e cultural da cidade: a Igreja Nossa Senhora D’Ajuda. Em 2017 e 2018, outros dois santuários da cidade também foram restaurados e reabertos para a população congonhense. É o caso da Matriz de Nossa Senhora da Conceição e da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, respectivamente.

Igreja N. Sra. D’Ajuda

Após restauração, Igreja N. Sra. D’Ajuda será reaberta em Congonhas-MG

Em 2018, Fiéis apreciaram a restauração da Igreja de Nossa Senhora d’Ajuda – Foto: Prefeitura de Congonhas

Localizada no distrito do Alto Maranhão, a Igreja Nossa Senhora D’Ajuda será entregue, em breve, à comunidade, após passar por uma restauração feita pela Prefeitura, em parceria com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG). A edificação, datada de 1746, passou por diversas intervenções, entre elas, a restauração de seus elementos artísticos e estabilização da alvenaria.

A Prefeitura investiu na substituição da estrutura de madeira do telhado, substituição parcial de telhas, amarração, restauração parcial do forro, execução de guarda-pó, imunização, reposição de tirantes, proteção de elementos e outros serviços. Também realizou a estabilização da alvenaria, com injeção de aglomerantes especiais que permitiram a manutenção do estado atual das paredes, o afastamento do risco de ruína e evitou o processo traumático da demolição e reconstrução da mesma.

A Prefeitura também fez a complementação das obras de restauração arquitetônica proposta anteriormente e as instalações do Projeto de Prevenção e Combate a Incêndio e Pânico.

Já o IEPHA fez a restauração do programa iconográfico do forro da capela-mor, que apresenta 25 quadros, organizados em um forro artesoado de caixotões montados em gamela, com cinco fileiras de cinco quadros cada uma. São 25 estampas, contando um quadro cuja representação se perdeu. Foi restaurado o altar principal da Igreja e seus elementos artísticos. Também foi feita a drenagem do adro da igreja.

Matriz de Nossa Senhora da Conceição

Fachada da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Congonhas (MG)

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição passou por um minucioso trabalho de restauro de seus elementos artísticos integrados. Financiada pelo PAC Cidades Históricas, a obra foi entregue aos fiéis em 2017.

O Altar-Mor foi todo recuperado. As imagens do coroamento encontravam-se amarradas com arame, apresentavam repintura e perda de elementos. O estado avançado de deterioração da madeira do coro necessitou de uso de microesferas de vidro para fortalecimento da estrutura. A camada pictórica recebeu proteção durante o serviço. O elemento inteiro foi nivelado.

O Arco do Cruzeiro, que a exemplo do Altar-Mor é atribuído ao entalhador Francisco Vieira Servas, pelo especialista Adriano Ramos, teve a tarja tratada e reinstalada de forma adequada. Uma asa do anjo voltou à posição original. A exemplo dos outros elementos artísticos, os altares laterais e colaterais também foram higienizados, imunizados e envernizados. Em alguns pontos do coro, a repintura foi removida e reintegrada.

Construída na primeira metade do século 18, a Matriz de N. Sra. da Conceição apresenta várias fases do Barroco e estilo jesuítico na sua fachada. Vários artistas trabalharam nela, como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, que fez a portada em pedra-sabão.

Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos

As esculturas dos Doze Profetas, feitas em pedra-sabão por Aleijadinho, estão no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos

Ícone do colonial mineiro, obra-prima do barroco e parte do conjunto considerado Patrimônio Cultural Mundial pela Unesco, a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos foi reaberta no dia 28 de junho de 2018, depois de passar pela maior e mais importante restauração de sua história. A cerimônia de entrega da obra foi realizada às 09h, com apresentações culturais locais.

Foram cerca de R$ 2,27 milhões investidos na restauração, realizada com recursos do programa Agora, é Avançar, do Governo Federal, por meio do Iphan, com execução da Prefeitura Municipal de Congonhas. O Ministério Público Federal (MPF) também direcionou investimentos de quase R$ 493 mil para o projeto da obra, por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta. Assim, foram dois anos e meio de intervenções, que contemplam os elementos artísticos da Basílica, em uma ação criteriosa e que segue os padrões internacionais de excelência. A paróquia ainda realizou outros serviços, como a pintura da igreja, a recuperação de relicários e imagens, como a do Bom Jesus crucificado, localizado no altar-mor.

Entre as ações realizadas, destaca-se a recuperação de uma pintura do século XVIII nas laterais do camarim do retábulo-mor e simbologia do martírio de Cristo; os quadros da sacristia, nártex, coro e da nave; balaustradas; cimalhas; forros; retábulos laterais e da sacristia; arco do cruzeiro; púlpitos; pias; lavabo de pedra sabão da sacristia; e a cruz de Feliciano Mendes. Durante a obra, foram encontradas pinturas expressivas, como o fundo da pintura do forro da nave que era cinza liso e escondia um céu com nuvens e tonalidades do azul ao rosado e ainda uma pintura sobre tela na parte superior da Cruz, com a representação do Crucificado.

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