A doçura do açúcar é um dos seus grandes atrativos e a principal razão para que seja um ingrediente tão amado.

Desde crianças aprendemos que os doces pertencem à menor ponta da pirâmide alimentar, e já na fase adulta aprendemos sobre o papel do açúcar no ganho de peso indesejado, no entanto, a atração pelo prazer proporcionado pelo gosto doce parece ser cada vez maior.

As atividades básicas da vida cotidiana, desde os primórdios exigiam muita energia na forma de calorias, assim, os indivíduos com maior aptidão para acumular calorias sobreviveram mais tempo e tiveram mais filhos. A doçura sinaliza a presença de açúcares, que é uma  excelente fonte de calorias; assim, a capacidade de detectar a doçura dos alimentos ajudou os primeiros humanos a reunir maior quantidade de calorias com menos esforço.

Com a seleção natural os genes com funções importantes são mantidos intactos, enquanto os genes sem uma tarefa vital tendem a se deteriorar e às vezes desaparecer completamente à medida que as espécies evoluem; desse modo, a presença dos genes TAS1R1 e TAS2R2 (genes responsáveis pela detecção do gosto doce) em tantas espécies atesta as vantagens que o sabor doce proporcionou por eras. O que pode também ser provado pelo fato de que as espécies animais que não encontram açúcares em suas dietas típicas perderam a capacidade de percebê-lo. Por exemplo, muitos carnívoros, que se beneficiam pouco com a percepção dos açúcares, abrigam apenas relíquias quebradas de TAS1R2. Ou seja, a habilidade de perceber doçura faz parte dos projetos genéticos do nosso corpo.

Embora nossa língua detecte sabores, é o nosso cérebro que decide como responder. Se as respostas a uma sensação particular são consistentemente vantajosas ao longo das gerações, a seleção natural as fixa e elas se tornam instintos, como é o caso da atração pelo gosto doce.

Os efeitos do açúcar no cérebro são parecidos com o mecanismo responsável pelo vício em cocaína. E isso gera um ciclo vicioso, no qual nosso corpo “pede” pelo doce, que é capaz de desencadear uma sensação de prazer momentânea.

Além da resposta instintiva, a memória afetiva também tem um papel importante , visto que os estímulos ao paladar que nos trazem boas sensações e lembranças agradáveis  podem fazer parte da explicação sobre o porquê da atração pelo doce ser tão forte e comum.

Consumir açúcar proporciona ao cérebro da maioria das pessoas um prazer afetivo, gerando uma gratificação sensorial associada a estado psicológico e cognitivo; no entanto, racionalmente sabemos que o consumo excessivo de açúcar pode causar prejuízos para a nossa saúde; sendo assim, como seres racionais é imprescindível que saibamos fazer uso desta nossa faculdade a fim de obter o máximo de prazer com o mínimo de prejuízo, o que só pode ser feito se exercitarmos nosso autocontrole não nos deixando render apenas pelos instintos.

COMENTÁRIOS
Share.

Nutricionista, natural de Ouro Preto/MG, e uma admiradora da arte da escrita, almejo proporcionar saúde compartilhando meus conhecimentos de modo a agregar melhorias na vida do maior número de pessoas possível.