A possibilidade de um novo episódio de El Niño e seus reflexos sobre Ouro Preto será tema de uma audiência pública marcada para o próximo dia 22 de junho, às 18h, no plenário da Câmara Municipal. O encontro foi proposto pelo vereador Kuruzu (PT) e aprovado durante a sessão legislativa realizada em 9 de junho.
A audiência pretende reunir representantes de órgãos públicos, instituições de ensino e entidades ligadas à gestão de riscos para discutir como o município pode se preparar diante dos impactos das mudanças climáticas e dos possíveis efeitos de um evento climático de grande intensidade.
O que está em discussão?
O debate ocorre em meio a alertas e projeções de organismos internacionais sobre a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e capaz de provocar alterações climáticas em diversas regiões do planeta.
Em cenários mais severos, popularmente conhecidos como “Super El Niño”, os efeitos podem incluir períodos de chuvas intensas, estiagens prolongadas, aumento das temperaturas e eventos climáticos extremos, exigindo planejamento antecipado por parte das autoridades.
Cidades com características geográficas complexas, como Ouro Preto, o tema ganha atenção especial devido ao histórico de deslizamentos de terra, erosões e outros eventos associados a períodos de chuva intensa.
Quem participará da audiência?
A proposta prevê a participação de representantes da Defesa Civil Estadual, do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), do Corpo de Bombeiros e de secretarias da Prefeitura de Ouro Preto.
A expectativa é que os órgãos apresentem avaliações técnicas, estudos e estratégias voltadas à prevenção e à redução de riscos relacionados a possíveis eventos climáticos extremos.
Vereador cita necessidade de planejamento
Autor da proposta, o vereador Kuruzu afirma que a iniciativa surgiu diante dos alertas científicos e da necessidade de construir um plano de preparação envolvendo diferentes setores da administração pública e da sociedade.

“O noticiário e as previsões têm chamado a atenção para um cenário que exige responsabilidade. Ouro Preto possui um relevo complexo, histórico de deslizamentos e desafios que tornam fundamental um planejamento intersetorial, envolvendo diferentes secretarias e também a participação ativa da sociedade civil. Nossa prioridade é discutir as medidas emergenciais que precisam ser adotadas desde já para minimizar possíveis impactos e construir encaminhamentos concretos para o município”, declarou.
Quem pode participar
A audiência será aberta ao público e permitirá a participação de moradores, representantes de entidades e demais interessados no tema.
Segundo a Câmara Municipal, o objetivo é criar um espaço de diálogo para discutir ações preventivas, esclarecer dúvidas e construir propostas voltadas à adaptação da cidade diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Nota do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) reforça cuidados
Em nota divulgada nessa quinta-feira (11), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que o fenômeno El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e pode ganhar intensidade nos próximos meses, com possibilidade de atingir níveis fortes ou até muito fortes entre o fim de 2026 e o início de 2027. Segundo o órgão, há 63% de probabilidade de o evento alcançar intensidade comparável à dos episódios mais severos registrados desde 1950. A avaliação também é compartilhada por centros meteorológicos internacionais, que acompanham o aquecimento das águas do Pacífico e seus possíveis reflexos sobre o clima global.
Confira a íntegra da nota:
O fenômeno El Niño voltou a se estabelecer no Oceano Pacífico Equatorial e deve ganhar intensidade nos próximos meses, podendo alcançar a intensidade forte durante a primavera austral de 2026, de acordo com informação oficializada pelo Centro de Previsão Climática da NOAA nesta última quinta-feira (11).
O retorno do El Niño também vem sendo apontado por diversos centros meteorológicos internacionais. Entre eles estão a Agência Meteorológica do Japão (JMA), Centro Climático da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APCC), Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), o Departamento de Meteorologia da Austrália (BoM) e a Organização Meteorológica Mundial (WMO). A atualização também converge com a análise divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) na última terça-feira (9).
Segundo o monitoramento, na primeira semana de junho o índice relativo Niño 3.4 atingiu +0,7°C, valor que caracteriza o estabelecimento das condições de El Niño. Os índices relativos Niño 4, Niño 3 e Niño 1+2 registraram anomalias de +0,7°C, +1,0°C e +2,1°C, respectivamente, evidenciando o aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Tais condições são apresentadas na Figura 1.
A previsão de conjunto de multi-modelos (North American Multi-Model Ensemble – NMME) indica o fortalecimento do El Niño até o verão 2026-2027. Além disso, há 63% de chance de um El Niño muito forte durante o trimestre Novembro-Dezembro-Janeiro, o que poderia classificá-lo como um dos eventos mais fortes nos registros históricos desde 1950.
Historicamente, episódios de El Niño estão associados à redução das chuvas em áreas das regiões Norte e Nordeste, aumentando o risco de estiagens, redução da umidade do solo e impactos sobre os recursos hídricos. Em contrapartida, a Região Sul tende a registrar precipitações acima da média, elevando a probabilidade de eventos de chuva intensa, alagamentos e cheias de rios em algumas localidades.
O INMET reforça que mesmo episódios muito intensos não produzem necessariamente os mesmos impactos em todas as regiões do Brasil. No entanto, quanto maior a intensidade do El Niño, maior tende a ser sua influência sobre os padrões no sistema climático do país, ao influenciar no comportamento da temperatura e precipitação, aumentando as probabilidades de ocorrência dos impactos climáticos associados ao fenômeno.

O INMET permanece monitorando continuamente as condições observadas no Oceano Pacífico Equatorial, acompanhando a evolução das anomalias de TSM e demais indicadores atmosféricos e oceânicos associados ao fenômeno El Niño. Paralelamente, o Instituto segue avaliando as previsões e boletins emitidos pelos principais centros meteorológicos internacionais especializados no monitoramento climático.







