Seria a restrição de carboidrato a chave para o tratamento do câncer?

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O primeiro mito sobre dietas restritivas e alimentos milagrosos no tratamento do câncer a ser desvendado é o de que carboidratos alimentam o tumor.

A glicose é o combustível de todas as células do corpo e o fato do tumor também utilizar esta fonte de energia possibilitou que houvesse a formulação da hipótese de uma associação causal entre esse açúcar e o desenvolvimento de câncer.

Acreditar na premissa de que a glicose favorece o crescimento de células cancerosas pode fazer com que pessoas com câncer cortem totalmente da dieta os alimentos que contém carboidrato, o que pode ser um comportamento nocivo à nutrição do indivíduo.

O nosso organismo possui mecanismos para gerar glicose por meio de outras fontes diferentes do carboidrato, por exemplo, utilizando as proteínas musculares, porém, essa forma de gerar glicose resulta em perda de peso e, obviamente, muito músculo, o que pode gerar muitos prejuízos durante o tratamento. Dessa forma, pode-se perceber que cortar o consumo de carboidratos não impedirá o desenvolvimento das células cancerígenas.

Além de não ser um método eficaz para evitar a formação de tumores, a restrição total de açúcares pode gerar estresse, o que pode suprimir as funções imunológicas das células, sendo incontestavelmente prejudicial à pessoa com câncer.

Para prevenção do câncer, é essencial que se tenha uma alimentação saudável, dando preferência a alimentos naturais como frutas, verduras e legumes; além de grãos integrais, carnes magras, peixes, azeite, castanhas e muita hidratação. Recomenda-se, ainda que seja evitado o consumo de alimentos ultraprocessados como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refrigerantes, macarrão instantâneo, etc. Porém, não existem evidências bastantes para justificar a restrição no consumo de carboidratos.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda que os pacientes oncológicos sigam uma dieta individualizada e sejam acompanhados por profissionais de saúde especializados a fim de que possam usufruir de um tratamento baseado em evidências científicas e, portanto, mais adequado para a condição clínica e mais eficiente no processo de cura.

Postado em 13 de março de 2019

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