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Saúde Nunca Sai de Moda

Ao longo da história ocorreram importantes mudanças no padrão de beleza, principalmente feminino. A todo instante são lançados novos modismos, os quais são muitas vezes entendidos como o ideal a ser alcançado.

A sociedade atual é fortemente influenciada pela mídia, que constrói e impõe um padrão de beleza que valoriza a magreza e rejeita o corpo gordo¹ ². Enquanto antes a gordura era vista como sinal de poder e abundância, hoje ela está associada a atributos negativos como falta de força de vontade e não conformidade com a sociedade contemporânea³.

Como consequência da busca incessante por se encaixar nos padrões exigidos pela sociedade surge a insatisfação das pessoas com a própria aparência, podendo causar distúrbios da imagem corporal a qual pode ser definida como a percepção que o sujeito tem do próprio corpo com base nas sensações e experiências vividas ao longo da vida³. Muitas vezes, a pressão para atingir o suposto corpo ideal leva a piora da imagem corporal, podendo causar o aumento do comer desordenado, transtornos alimentares como anorexia e bulimia, e tentativas malsucedidas de controle de peso.

As influencias socioculturais podem induzir ao desejo de um corpo magro e acarretar na insatisfação corporal, uma vez que não se consegue alcançar a esse ideal 4. Na tentativa de se satisfazer com a sua imagem corporal cada individuo agrega hábitos em suas vidas com o objetivo de moldar o seu próprio corpo a fim de obter o resultado desejado; entre as práticas mais comuns da época atual estão as dietas, cirurgias plásticas, bodybuilding entre outros exercícios específicos para a forma que se deseja adquirir.

Para as mulheres fica cada vez mais forte o culto ao corpo magro, digno dos padrões Barbie®, enquanto para os homens cresce a cada dia a valorização de um corpo musculoso tal qual os super-heróis vistos na TV.

Para Martin Lindstrom 5; o cérebro humano atua em nosso comportamento por meio da ação de “neurônios espelhos” que, conforme experiência feita por um cientista italiano chamado Giacomo Rizzolati e sua equipe de pesquisas, são “neurônios que se ativam quando uma ação está sendo realizada e quando a mesma ação está sendo observada” 6;.Por exemplo: quando uma mulher vai ao shopping e vê um manequim com alguma roupa que lhe interessa, para a mulher, o manequim está lindo, em perfeita forma, e seu subconsciente lhe diz que apesar de ter engordado ou algo do tipo, ela também pode ficar da mesma maneira caso compre aquela roupa. Isso é o que o cérebro está dizendo, independente dela achar isso ou não. A mulher entra na loja, e logo depois sai com as roupas do manequim, assim inconscientemente ela não queria comprar uma roupa bonita, mais sim uma imagem ou atitude que não é dela 5.

Pode-se dizer que é devido à atuação dos neurônios espelho que muitas vezes se absorve um comportamento promovido pela mídia, devido a ser um ato praticado por uma pessoa admirada, como quando se nota o elevado número de visualizações de publicações que tem como destaque: “como ter o corpo daquela famosa” ou “saiba o que aquele galã faz para manter o abdome definido”, manchetes estas que levam o leitor a desejar adquirir o mesmo comportamento a fim de se assemelhar ao artista admirado.

Nos tempos atuais em que a cultura do belo vem ganhando cada vez mais espaço é de extrema importância enfatizar que o corpo ideal é o corpo saudável. Bonito mesmo é ter saúde; sentir-se bem por ser quem é, sem precisar submeter-se a comportamentos alimentares sacrificantes ou procedimentos invasivos. A forma mais eficiente de se exterminar a insatisfação com a imagem corporal é aceitar que as pessoas são dotadas de características peculiares que as tornam únicas e é isso que garante a verdadeira beleza, não é necessário adequar-se ao padrão que é imposto pela sociedade e transmitido pela mídia; o seu principal objetivo deve ser sua felicidade e auto aceitação, a maior ostentação de beleza é estar bem consigo mesmo, mantendo hábitos saudáveis, almejando predominantemente o bem estar, dessa forma o resultado estético vem como uma consequência, como o símbolo de uma conquista pessoal bem maior, em vez de demonstrar apenas uma escultura construída à custa de sofrimentos e privações.

Padrões de beleza mudam constantemente no decorrer do tempo, mas a boa resposta que um organismo saudável dá às necessidades individuais permanece e vai além de aparências, pois garante bem estar e qualidade de vida de forma duradoura.

Referências

1. Pereira EF, Graup S, Lopes AS, Borgatto AF, Daronco LSE. Percepção da imagem corporal de crianças e adolescentes com diferentes níveis socioeconômicos na cidade de Florianópolis, Santa Catarina, Brasil.Rev Bras Saúde Mater Infant 2009; 9(3):253-262.

2. Novaes JV. O intolerável peso da feiúra: sobre mulherese seus corpos. Rio de Janeiro: PUC – Rio; 2006.

3. Schilder P. A imagem do corpo: as energias construtivas da psique. São Paulo: Martins Fontes; 1981

4. Neighbors LA, Sobal J. Prevalence and magnitude of body weight and shape dissatisfaction among university students. Eat Behav. 2007;8(4):429-39.

5. LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos. Martin Lindstrom; tradução Marcello Lino. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009 p.59

6. LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos. Martin Lindstrom; tradução Marcello Lino. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009 p.55.

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