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CAPA Entretenimento Música

“We are not your kind”: um disco do Slipknot sobre luta e redenção dos deprimidos

Rodolpho Bohrer Rodolpho Bohrer
10/08/2019
em Música
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A banda Slipknot lançou seu sexto disco de estúdio na última sexta-feira (9), intitulado “We Are Not Your Kind“. O álbum conta com 14 faixas mesclando sons pesados e melódicos, característica tradicional do grupo. O último lançamento do Slipknot havia sido em 2014, com “.5: The Gray Chapter“. We Are Not Your Kind é o primeiro produto do conjunto após a saída do percussionista Chris Fehn.

O novo disco está disponível nas principais plataformas digitais:

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O disco, segundo o vocalista Corey Taylor, é um dos mais sombrios da banda. O cantor passou por “maus bocados” nos últimos tempos, tendo que lidar com um divórcio. Além disso, problemas com álcool e depressão são questões trazidas às letras das músicas do novo trabalho da banda. Inaugurado com uma faixa instrumental de introdução, “Insert Coin” começa mostrando o grande potencial de sintetizadores do álbum. Mas também mostra o tipo de som eletrônico repetitivo, feito pelo DJ Sid Wilson, junto do tecladista Craig Jones, que é algo já característico do Slipknot.

A faixa “Unsainted”, lançada em maio desse ano, traz uma novidade: um coro junto da voz de Corey Taylor. A música traz uma ambientação sonora remetente a algo religioso ou espiritual. Junto com as estrofes gritadas pelo vocalista, o som pesado das percussões, guitarras e baterias retornam ao som. Na letra, o relato das frustrações com o casamento terminado de Corey se mostra revoltoso e diz que “você matou o santo em mim”.

No decorrer do disco, as duas próximas músicas “Birth of the Cruel” e “Death Because of Death” trazem uma parte de desabafo quanto a um relacionamento que o “matou”. Na primeira, um sentimento de que há muita coisa ruim dentro do eu-lírico, incluindo maldades, pensamentos perversos e sensação amarga que eram despertados pelo seu antigo relacionamento, como um gatilho, mas que já foram superados. E na outra faixa, uma espécie de “mantra” é dito: “morte por causa da morte, por sua causa”, junto apenas de uma percussão e um som eletrônico que cresce até o final da música, quando a última frase é: “Morte por sua causa”.

LEIA MAIS: Confira os novos lançamentos da música brasileira em 2019.

E na sequência, “Nero Forte”, uma faixa bem a cara do Slipknot. Com os cantos guturais raivosos de Corey, acompanhados de uma passagem melódica nos refrões, a música lembra muito os tempos mais antigos da banda, como o disco “The Subliminal Verses”, lançado em 2005. E ainda, no meio da música há a tradicional marcha tocada por Shawn Crahan, marca registrada do percussionista que já emplacou essa batida em vários hits, incluindo “The Blister Exist” e “Psychosocial”.

E chegando perto da metade do disco, a música “Critical Darling” volta um pouco no tempo em que um relacionamento que vai de mal a pior está em andamento. A faixa traz as complicações que parecem intermináveis se relacionando com alguém, enquanto as duas partes não se enxergam. Porém, um detalhe observado no som reproduzido é o quanto a harmonia feita com a bateria e as duas guitarras está extremamente sofisticada, tendo um som limpo e sem ruído. Os barulhos que soam ao percorrer da reprodução foram feitos por meio dos samplers. de Craig Jones.

Já na metade do álbum, aparece a faixa mais pesada do disco em termos de letra, e peso das batidas feitas pela bateria junto do sampler. É uma espécie de marcha que aparece junto com o violão e voz, e as batidas da bateria entram quando há os gritos de “Liar!”. A atmosfera sonora junto de uma letra completamente desesperançosa faz parecer um convite para uma espécie de libertação. Aparentemente, nesse mundo não há espaço para qualquer tipo de satisfação ou felicidade. Com isso, Slipknot faz o convite: “feche os olhos e junte-se aos cegos, corte seus pulsos para ter paz de espírito”. Esse é o ápice da transparência artística de sintomas de depressão. A música consegue trazer sensações de algo pesado e triste através dos gritos de Corey Taylor, do violão tocado, da bateria, percussão, mas o essencial para essa ambientação sonora é o teclado. Craig Jones, tecladista da banda, consegue encaixar um som melódico através de um zumbido que tampa os espaços durante a reprodução de “A Liar’s Funeral”.

"We are not your kind": um disco sobre luta e redenção dos deprimentes
Crédito da foto: divulgação/Facebook

Caminhando para a parte final do álbum, a música “Red Flag” aparece bem agressiva, com riffs pesados, bateria mais rápida e apenas a voz gutural de Corey. Uma boa pedida para quem gosta mais do estilo cru vindo do “Nu Metal”. Logo após, a faixa “What’s Next” tem apenas 53 segundos de duração e não tem letra. Só é reproduzido um som muito baixo de violão e teclado, que mais parece ser uma transição de um som para outro.

Outro destaque de “We Are Not Your Kind” é vista tanto em “What´s Next”, quanto na próxima faixa, “Spiders”. Trata-se da valorização do teclado como recurso da banda. O Slipknot sempre teve o histórico de um som mais sujo, com menos presença de sons harmoniosos, mas parece que a maturidade do grupo trouxe mais recursos na utilização dos instrumentos. Essa que é a décima música do álbum é inteiramente reproduzida com um toque do teclado, dando até uma pegada mais pop na harmonia junto à voz limpa de Taylor.

Em seguida, “Orphan” é uma música também para os adeptos de bater a cabeça, tendo até aquela batida de Shawn Crahan na lateral da percussão para ficar um som aberto e repetitivo, assim como faz no hit “Duality”. Depois dela, a faixa “My Pain” traz quase sete minutos de recursos de ambientação do som. Os sintetizadores de Craig ficam mantendo uma base, enquanto vozes vão surgindo até alcançar dois minutos de duração, quando entra a letra da música que é bem simples, dando uma ideia de “cantiga”.

Entrando na parte final do disco, a banda inverte um pouco a ordem de costume. Em “Not Long for this World”, a música começa com voz melódica e se estende até o refrão, quando o peso entra junto da bateria e voz gutural. Apesar da troca, foi algo muito bom para esse som, dando também dinamismo na fórmula padrão de execução do Slipknot. E, finalizando o disco, “Solway Firth” dá as considerações finais dos mascarados. Com um som pesado e riffs muito rápidos, a faixa diz sobre a cobrança das pessoas sobre os depressivos em demonstrarem uma felicidade falsa.

Enfim, o passeio entre as faixas do disco “We Are Not Your Kind” mostra a evolução musical da banda quanto a qualidade e limpeza do som. Além disso, destaca-se a utilização e variação do protagonismo de seus instrumentos que entraram em harmonia do início ao fim do álbum. O Slipknot alcançou grandes vôos com o novo trabalho, mas dessa vez, não só como atores de um Shock Rock dos anos 2000, mas como músicos que possuem uma métrica muito forte de composição, e muita harmonia.

 

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Rodolpho Bohrer

Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost e assistente de edição de texto da Agência de Notícias do Sul da Bahia (Ansuba).

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