Belo Horizonte zerou os casos de feminicídio e estupro de vulnerável durante o Carnaval 2026. No estado, os roubos de celular caíram 55% e os homicídios recuaram quase pela metade. Os dados foram apresentados pelas Forças de Segurança de Minas Gerais em coletiva nesta quinta-feira (19/2) e confirmam a queda generalizada nos principais indicadores de criminalidade durante a folia, entre sábado (14/2) e terça-feira (17/2).
Os números de furto e roubo de celulares foram um dos destaques. No estado, os roubos de aparelhos caíram 55,7%, passando de 88 para 39 ocorrências. Na capital, a redução foi de 71,4%. Os furtos também recuaram com força: 65,6% em Minas e 70,6% em Belo Horizonte. “É um trabalho em conjunto que garante à população uma festa mais segura”, destacou a delegada-geral da Polícia Civil, Leticia Gamboge.
Os crimes contra o patrimônio seguiram a mesma tendência. Roubos caíram 50% no estado e 63,8% na capital. Furtos recuaram 52,9% em Minas e 62,9% em BH. Os homicídios, principal indicador violento monitorado pelo Observatório de Segurança Pública da Sejusp, diminuíram 48,3% no estado, de 29 para 15 casos, com queda de 50% na capital.
As mulheres no centro da operação
A proteção às mulheres foi prioridade este ano e os resultados apareceram. Além de BH ter zerado feminicídio e estupro de vulnerável, o estado registrou queda de 41,7% nas ocorrências de estupro de vulnerável e de 25% nos casos de feminicídio. Os registros de estupro recuaram 19% em Minas Gerais.
Os casos de importunação sexual subiram 33,3% no estado. Para as autoridades, o aumento não reflete crescimento da violência, mas maior confiança das vítimas em denunciar, resultado direto das campanhas promovidas durante a folia.
Uma das novidades deste ano foi a Cabine Rosa, canal especializado criado pela Polícia Militar dentro do teleatendimento de emergência, operado por policiais femininas capacitadas. Na estreia, foram 145 atendimentos e 29 pessoas presas pelo crime de importunação sexual. A Sedese complementou as ações com o programa Fale Agora na Folia, que distribuiu 212,4 mil materiais gráficos em 73 municípios e capacitou 400 pessoas em 25 cidades.
Policiamento nas ruas e tecnologia no ar
A Polícia Militar empregou 100% do efetivo durante o Carnaval e prendeu 3.797 pessoas no estado, sendo 3,3 mil em flagrante delito e 62 por reconhecimento facial. Drones com câmeras inteligentes, postos de observação elevada e o Sistema Hélios, para leitura de placas, ampliaram a capacidade de monitoramento. Foram apreendidas 173 armas e grandes quantidades de drogas, além de 48 celulares recuperados.
A Polícia Civil reforçou as delegacias de plantão e instalou a Delegacia Móvel na Praça 7, ponto estratégico de grande circulação na capital. A Delegacia Virtual, que permite registro remoto de 12 tipos de ocorrência, também teve sua divulgação intensificada durante a folia.
Bombeiros e saúde
O Corpo de Bombeiros atendeu 2.259 ocorrências no período, com queda de 26% nas emergências ligadas diretamente à folia em relação a 2025. As ações preventivas cresceram 50,7%, chegando a 1.393 operações em todo o estado. Foram 33 salvamentos e 321 atendimentos pré-hospitalares, a maioria por desidratação ou excesso de álcool.
Nove pessoas morreram por afogamento no estado, mesmo número de 2025 e dentro da média dos últimos cinco anos. O Corpo de Bombeiros estruturou 247 operações em balneários e salvou 23 banhistas. Nos acidentes de trânsito, houve queda de 14% no estado e de 24% em Belo Horizonte. Nas 15 cidades históricas monitoradas, nenhuma ocorrência envolveu o patrimônio cultural mineiro.
A Secretaria de Saúde distribuiu a cartilha Vem Mineirizar com Saúde para todos os 853 municípios, com orientações sobre hidratação, alimentação, proteção solar, sexo seguro e prevenção à dengue.







