O que você procura?

A importância do combate à desigualdade social para o controle das novas variantes da COVID-19

Pedro Luiz Teixeira de Camargo 1 de dezembro de 2021 às 23:09
Tempo de leitura
3 min

Se tem uma coisa que falamos o ano inteiro e ainda tem pauta para conversarmos é a COVID-19. Enquanto no Brasil as regras de distanciamento afrouxam cada vez mais, vemos surgir em outros países novas variantes, o que inclusive deveria ser motivo de preocupação das nossas autoridades.

Mais que fechar fronteiras e cancelar voos, é preciso que se enxergue o que está acontecendo de maneira mais profunda, e é sobre isso que devemos nos debruçar, buscando ver além da superficialidade.


A maior parte das novas cepas estão surgindo na África, exatamente no continente onde se tem o menor percentual de pessoas vacinadas, não chegando a 30%. É também nesta região que se concentra grande parte dos países que vivem em extrema pobreza, evidenciando um dado extremamente importante: a falta de vacinas ocorre nos locais mais esquecidos do planeta.

Enquanto na Europa e mesmo nos EUA vemos vacinas sendo jogadas fora, temos nações que não tem condições de vacinar seus povos, o que é um absurdo. Não se pode achar normal que tamanha desigualdade social seja vista de maneira indiferente, pois se esta não for combatida, não teremos o fim do Covid.

Está mais que claro que as novas cepas do coronavírus estão surgindo exatamente onde temos menos vacinados, esta mistura de pessoas com e sem vacina gera uma espécie de seleção no vírus, criando novos e diferentes tipos, alguns que podem inclusive ser mais perigosos para o ser humano, aumentando as chances de repetirmos o caos que vimos nos últimos dois anos.

É preciso uma agenda global liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em prol da vacinação na África, os países mais ricos precisam assumir as suas responsabilidades e doar insumos e vacinas o quanto antes, pois a capacidade de modificação genética desta doença é extremamente rápida.

Junto com isso, é preciso que sejam quebradas as patentes das vacinas, não é justo que poucos laboratórios no mundo lucrem com a desgraça alheia, a propriedade intelectual não pode estar acima do bem-estar da população, os países precisam ter o direito de gerar as suas próprias vacinas para se ter o controle efetivo da maior pandemia vista em um século.

Outro ponto que não pode ser deixado de lado é a necessidade da obrigatoriedade da vacinação, não podemos tolerar negacionistas irresponsáveis que se negam a vacinar e ficam por aí propagando a doença e aumentando o risco de novas cepas se desenvolverem, é preciso tolerância zero com a ignorância, aprovando leis rígidas a quem se nega a algo óbvio!

Se a África e a desigualdade social não fossem tão esquecidas pelos donos do poder, preocupados somente em extrair as suas riquezas naturais, com certeza não estaríamos assistindo a mais um capítulo desta novela interminável chamada coronavírus.

Até quando vamos achar isso normal? O lucro de alguns não pode estar acima das necessidades básicas da maioria!

Vacinação e políticas públicas de distribuição de renda em todo o continente africano já!

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

ATENÇÃO: Ao copiar uma matéria do Mais Minas, ou parte dela, não se esqueça de incluir o link para a notícia original.