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O frio e a necessidade de políticas públicas relacionadas às pessoas em situação de rua

É hora de pensarmos nos que mais precisam e refletir se o poder municipal não pode fazer mais que campanhas de doação de agasalhos e repartições abertas de maneira emergencial.

Pedro Luiz Teixeira de Camargo 2 de agosto de 2021 às 17:28
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3 min
Foto: Divulgação / Câmara Municipal de Vacaria
Foto: Divulgação / Câmara Municipal de Vacaria

Este final de julho e início de agosto trouxe para nós da região dos Inconfidentes um elemento a mais para o nosso clima tropical de altitude: uma onda extrema de frio.

Acostumados com baixas temperaturas nesta época do ano, a massa de ar polar que se deslocou sobre o país trouxe junto uma sensação gélida que há tempos não experimentávamos.

Foi com base nessa sensação climática que me veio a ideia de escrever um texto para refletirmos sobre os que mais sofrem nessa época do ano: os que têm menos condições materiais, em especial os que estão nas ruas.

Para algumas pessoas, o inverno é a estação mais elegante do ano, haja vista que elas se vestem bem para enfrentar o vento cortante de nossa região. Entretanto, isso só é verdade para os que possuem melhores condições de vida. Para os mais humildes, o frio é uma época muito dura, pois enfrentá-lo sem roupas e cobertas adequadas é um verdadeiro martírio.

Assim, é preciso que se pense em políticas públicas para essa parcela da população, com destaque, como já disse antes, para os que estão em situação de rua, excluídos até mesmo da mais simples moradia.

No caso de Ouro Preto, por exemplo, a prefeitura agiu bem abrindo uma escola para esse contingente de pessoas, somados a isso, temos as campanhas do agasalho que também contribuem para se enfrentar este delicado momento.

Sem dúvida que essas iniciativas são válidas, mas não podemos pensar nisso somente quando se chega o inverno, é preciso uma ação mais efetiva que vá além de abrigos passageiros e doações de caridade, precisamos de políticas públicas efetivas para essa parcela da população.

Os excluídos, onde se encaixam estes cidadãos, precisam ser vistos pela gestão municipal. É preciso iniciativas capazes de dialogar com as necessidades do presente pensando nas necessidades futuras e aqui cabe uma pergunta: será que não é hora de se pensar em um albergue municipal?

Penso que esta iniciativa seria capaz de contribuir para o abrigo dos mais humildes durante todo o ano, com destaque para as épocas de frio, cooperando para iniciativas sociais capazes de ajudar na sua retomada junto ao mercado de trabalho ou até mesmo do convívio com suas famílias, em especial daqueles que são vítimas do vício em álcool e drogas.

É hora de pensarmos nos que mais precisam e refletir se o poder municipal não pode fazer mais que campanhas de doação de agasalhos e repartições abertas de maneira emergencial. Creio que é hora de pensarmos em políticas públicas para as pessoas em situação de rua, avalio ser este o melhor caminho para resolver mais esse problema social que enfrentamos.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar à posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

Última atualização em 13 de setembro de 2021 às 17:35