Um alimento tradicional presente na mesa dos brasileiros começa a ganhar espaço em um setor pouco esperado: a mineração. Em Minas Gerais, a mandioca, também conhecida como aipim ou macaxeira, pode passar a integrar processos industriais ligados ao beneficiamento do minério de ferro, em uma estratégia que conecta agricultura, indústria e mineração.
A iniciativa faz parte do Projeto Raiz Viva, que propõe a estruturação de uma cadeia produtiva da mandioca voltada ao atendimento da indústria mineral. A proposta é utilizar a fécula do alimento como insumo em etapas como a flotação, processo essencial para a separação e concentração do minério.

Do campo à mineração
Tradicionalmente associada à alimentação, a mandioca passa a assumir um papel industrial. O projeto prevê a produção regional do insumo, substituindo parte dos amidos industriais atualmente adquiridos fora de Minas Gerais, mesmo com a atividade mineradora concentrada no estado.
Com isso, a proposta vai além da inovação técnica. A ideia é manter dentro do território parte da riqueza gerada pela mineração, estimulando a economia local e criando novas oportunidades para agricultores familiares e cooperativas.
Impacto econômico e social
O modelo integra diferentes setores. Agricultores passam a fornecer matéria-prima, agroindústrias realizam o processamento e mineradoras utilizam o produto final. Esse arranjo busca ampliar a geração de renda e fortalecer cadeias produtivas regionais.
Além disso, a iniciativa contribui para a diversificação econômica de regiões dependentes da mineração, criando alternativas produtivas e ampliando a circulação de recursos dentro dos territórios.
Sustentabilidade e redução de custos
Outro ponto destacado é o impacto ambiental. Ao produzir o insumo mais próximo das operações mineradoras, o projeto reduz a necessidade de transporte de materiais, o que pode diminuir a emissão de gases e otimizar a logística.
A estratégia também se conecta a práticas associadas à sustentabilidade, com foco na rastreabilidade, no uso eficiente de recursos e na valorização de cadeias locais.
Parcerias e estrutura
O Projeto Raiz Viva envolve uma articulação entre diferentes instituições públicas e privadas. Participam órgãos do Governo de Minas Gerais, entidades de apoio à produção, instituições de pesquisa, empresas do setor mineral e a agroindústria responsável pela execução.
Entre os parceiros, empresas mineradoras já sinalizam interesse no uso da fécula como insumo, indicando viabilidade prática da proposta.
Uma nova leitura sobre desenvolvimento
A iniciativa aponta para uma mudança na forma de pensar o desenvolvimento econômico no estado. Ao conectar um produto tradicional do campo a uma cadeia industrial estratégica, o projeto propõe um modelo em que diferentes setores se complementam.
Nesse cenário, a mandioca deixa de ser apenas um alimento e passa a integrar um sistema produtivo mais amplo, com potencial para gerar impactos econômicos, sociais e ambientais.







