Porto Seguro, no sul da Bahia, um dos destinos mais procurados por milhares de mineiros durante o verão, registrou 16 mortes por afogamento em um período de aproximadamente um ano. Os dados fazem parte de levantamento do 6º Batalhão de Bombeiros Militar e foram divulgados pelo Jornal Bahia 73, tendo como fonte original a Agência de Notícias do Sul da Bahia (Ansuba).
Entre setembro de 2024 e outubro de 2025, foram contabilizados cerca de 28 casos de afogamento na cidade, sendo mais da metade com desfecho fatal. O município recebeu mais de 2,4 milhões de visitantes apenas em 2024, segundo dados da prefeitura, o que aumenta a pressão sobre a estrutura de segurança nas praias.
As ocorrências se concentram principalmente nas praias de Taperapuã, Mundaí e Coroa Vermelha, locais que reúnem grande fluxo de turistas ao longo do ano.
Correntes de retorno estão entre os principais riscos
Especialistas apontam que as correntes de retorno são uma das principais causas dos afogamentos registrados na região. Esses fenômenos se formam em canais entre bancos de areia e podem arrastar banhistas rapidamente para áreas mais profundas.
Segundo a bióloga Gleiciane Marques, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, nadar contra esse tipo de corrente pode levar à exaustão. A orientação, nesses casos, é manter a calma, flutuar e nadar lateralmente até sair da área de risco.
O tenente Teles, do Corpo de Bombeiros, reforça que esse tipo de ocorrência é mais comum na Orla Norte e em pontos específicos como Coroa Vermelha.
Casos recentes chamam atenção
Entre os episódios registrados, está o resgate de um adolescente de 12 anos na Praia das Pitangueiras, em maio de 2025. O jovem foi salvo após ajuda de banhistas e atuação do Corpo de Bombeiros.
Outro caso ocorreu em outubro do mesmo ano, quando uma turista de 51 anos, natural de Montes Claros (MG), morreu após se afogar próximo à Cabana Malibu, na praia de Taperapuã.
Relatos de turistas também apontam falta de sinalização em alguns trechos do litoral. Uma banhista que presenciou um afogamento na Praia das Pitangueiras afirmou que não há avisos claros sobre os riscos do local.
Falta de estrutura é alvo de críticas
Turistas relatam que não recebem orientações sobre segurança ao chegar à cidade. Visitantes de outros estados compararam a estrutura local com a de outros destinos turísticos, onde há maior presença de guarda-vidas e sinalização.
A Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) aponta que o risco de morte por afogamento em praias sem guarda-vidas é até 60 vezes maior. A entidade também destaca que turistas representam uma parcela significativa das vítimas no país.
Dados nacionais reforçam alerta
Entre 2010 e 2023, o Brasil registrou mais de 71 mil mortes por afogamento, segundo o Ministério da Saúde. Jovens entre 10 e 19 anos representaram 17,7% dos casos, enquanto crianças de 1 a 4 anos somaram 8,2%.
Estados com forte atividade turística, como Santa Catarina, Espírito Santo e Bahia, concentram parte relevante dos registros envolvendo visitantes.
Projeto de guarda-vidas segue sem execução
Em 2022, a Câmara de Porto Seguro aprovou um projeto de lei que previa a criação de 30 cargos de guarda-vidas. No entanto, três anos após a aprovação, o concurso público ainda não foi realizado.
A ausência desses profissionais tem sido apontada como um dos fatores que contribuem para os riscos enfrentados por banhistas, especialmente em períodos de alta movimentação turística.
Ações de prevenção e orientações
O Corpo de Bombeiros mantém iniciativas educativas, como o Projeto Anjinhos da Praia, voltado à conscientização de crianças e famílias sobre segurança no mar.
Além disso, voluntários da Sobrasa realizam ações educativas na região, com palestras e conteúdos informativos.
Entre as principais recomendações estão evitar nadar após consumo de álcool, não se afastar da faixa de areia e respeitar as condições do mar.
Segundo os especialistas, parte dos acidentes poderia ser evitada com maior conscientização e investimento em medidas de prevenção e segurança.







