Não há mais passagens no trem Vitória-Minas para quem pretende viajar de Belo Horizonte para o Espírito Santo na Semana Santa. Os bilhetes para embarque na capital mineira no dia 2 de abril, véspera da Sexta-Feira da Paixão, estão esgotados. Na classe executiva, os assentos já não estão disponíveis nem para o dia 1º de abril. No vagão econômico, ainda restam poucos lugares para essa data.
A volta sobre a Estrada de Ferro Vitória a Minas também está comprometida. No domingo, 5 de abril, as passagens do Espírito Santo para Belo Horizonte estão esgotadas nas duas classes, econômica e executiva.
As passagens custam R$ 87 na classe econômica e R$ 127 na executiva para o trecho completo de Belo Horizonte até a estação Pedro Nolasco, em Cariacica, na Região Metropolitana de Vitória.
Padrão que se repete
O comportamento de grande procura por passagens para o próximo feriado não é novidade. No feriado de 1º de janeiro e no Carnaval deste ano, as passagens do trem Vitória-Minas foram esgotadas assim que a Vale, empresa responsável pela linha, iniciou a venda dos bilhetes. A Semana Santa segue o mesmo padrão, confirmando o apelo crescente do trem como alternativa de deslocamento entre os dois estados.
Todos os dias, um trem parte de Belo Horizonte às 7h e uma composição sai de Cariacica no mesmo horário. O percurso cobre 664 km em cerca de 13 horas, passando por 30 estações distribuídas entre Minas Gerais e Espírito Santo.
O trem noturno e o sucesso de janeiro
A Vale também opera viagens noturnas nos períodos de maior demanda. A estreia do serviço, em janeiro de 2026, foi um sucesso. Cerca de 30 mil passagens foram vendidas no primeiro mês de operação, segundo levantamento do jornal A Gazeta junto à mineradora. Os bilhetes esgotaram rapidamente nos primeiros dias de venda.
No horário noturno, o trem parte de Belo Horizonte às 19h e chega à estação Pedro Nolasco às 8h15 do dia seguinte. No sentido inverso, sai do Espírito Santo às 18h e chega à capital mineira por volta das 7h50. A composição mantém o mesmo padrão das viagens diurnas, com vagões climatizados, poltronas reclináveis, elevador para cadeirantes e carro lanchonete e restaurante.
Os valores do trem noturno são iguais aos do diurno: R$ 87 na classe econômica e R$ 125 na executiva. As passagens não são vendidas nas estações durante a noite e devem ser adquiridas pelo site oficial da Vale, disponível 24 horas, ou nas bilheterias físicas dentro do horário regular de atendimento.
O serviço noturno não opera ao longo do ano inteiro. Está previsto para funcionar apenas em janeiro, julho e dezembro, meses de maior procura por viagens. As vendas para julho começam a partir de 15 de maio.
O trem de Ouro Preto e Mariana em restauração
Enquanto o Vitória-Minas opera com lotação máxima, outro trem histórico de Minas aguarda seu momento de retornar aos trilhos. O Trem da Vale de Ouro Preto e Mariana, uma das rotas turísticas mais emblemáticas do estado, iniciou em fevereiro um processo de restauração, mas ainda sem previsão de retomada das atividades.
O passeio percorre cerca de 18 km entre as duas cidades históricas, passando por estações ferroviárias que funcionam como pontos de encontro e centros culturais. A estação de Ouro Preto fica na Praça Cesário Alvim, próxima ao Morro da Forca. A de Mariana está na Avenida Manuel Leandro Corrêa, nas proximidades da Prefeitura Municipal.
A história do ramal é longa. Construído no final do século XIX, foi inaugurado em julho de 1889 por Dom Pedro II e pela Princesa Isabel com a missão original de ligar a então capital da província ao Rio de Janeiro. Após décadas de uso pela Escola de Minas da UFOP, o ramal enfrentou abandono nos anos 1980 e foi resgatado pela Vale nos anos 2000, sendo devolvido à população em 2006 como roteiro turístico. A pandemia de Covid-19 interrompeu as atividades em 2020 e o trem ainda não voltou a circular. A restauração atual foca na viabilização prática do retorno, com foco em segurança e conforto para os futuros passageiros.







