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O Comando Local de Greve (CLG) da Universidade Federal de Ouro Preto solicitou a inclusão da suspensão do calendário acadêmico na pauta do Conselho Universitário (Cuni). A proposta será analisada na reunião marcada para o dia 1º de abril e, se aprovada, pode interromper todas as atividades acadêmicas da instituição.

A deliberação foi tomada durante reunião do comando realizada na última terça-feira (24), quando os integrantes discutiram os rumos do movimento e avaliaram as atividades consideradas essenciais durante a paralisação dos servidores técnico-administrativos.

Pedido ao Cuni e impacto na universidade

Greve na UFOP pode levar à suspensão do calendário acadêmico em Ouro Preto
Greve de servidores pode impactar calendário acadêmico da UFOP — Crédito: divulgação/ASSUFOP

O CLG encaminhou um ofício à reitoria solicitando que o conselho discuta a suspensão do calendário enquanto durar a greve. O pedido foi incluído na pauta da próxima reunião do Cuni.

Caso a proposta seja aprovada, a medida implicará na interrupção das atividades acadêmicas em todos os campi da universidade, incluindo Ouro Preto, Mariana e João Monlevade.

Segundo o comando, a suspensão do calendário é considerada uma estratégia para fortalecer o movimento e ampliar a capacidade de negociação junto ao Ministério da Educação e ao Ministério da Gestão e Inovação.

Atividades que seguem durante a greve

Mesmo com a paralisação, parte das atividades continua sendo realizada para evitar prejuízos institucionais. Durante a reunião, o CLG definiu quais serviços são considerados inadiáveis.

Entre as atividades mantidas estão:

  • funcionamento dos conselhos universitários;
  • gestão de contratos com empresas terceirizadas, para evitar descumprimento de prazos;
  • procedimentos relacionados a concursos de professores efetivos e substitutos;
  • elaboração do relatório de gestão destinado ao Tribunal de Contas da União;
  • serviços vinculados a exames médicos realizados pela universidade;
  • manutenção de pesquisas que dependem de acompanhamento contínuo.

A orientação do comando é que apenas atividades cuja interrupção possa causar danos permanentes à estrutura da universidade ou riscos a pessoas e animais sejam mantidas.

As chefias de cada setor são responsáveis por comunicar aos servidores quais funções seguem em funcionamento durante a greve.

Contexto da greve na UFOP

A greve dos servidores técnico-administrativos da UFOP teve início no dia 2 de março, após aprovação em assembleia realizada em 23 de fevereiro, com participação de 165 associados do sindicato ASSUFOP.

O movimento ocorre em meio a reivindicações relacionadas ao cumprimento de acordos firmados com o governo federal em 2024. Um dos principais pontos é o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), mecanismo que permite progressão na carreira com base em qualificações adquiridas fora da formação formal.

Segundo o sindicato, o texto encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional diverge do que foi acordado com a categoria.

Além disso, os servidores reivindicam redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, avanço nas progressões de carreira, reposicionamento de aposentados, criação de concursos públicos e mudanças na gestão das instituições federais.

Negociação e próximos passos

A formalização da greve foi comunicada à reitoria no dia 24 de fevereiro, com a entrega de ofício à administração central da universidade. O documento também propôs a abertura de negociações para definição das atividades essenciais durante a paralisação.

Com a reunião do Conselho Universitário prevista para 1º de abril, a possível suspensão do calendário acadêmico passa a ser o principal ponto de atenção para a comunidade acadêmica nos próximos dias.

Entenda

O quêPedido de suspensão do calendário acadêmico
QuemComando Local de Greve da UFOP
Quando será decidido1º de abril de 2026
MotivoFortalecer negociação da greve
ImpactoPossível paralisação total das atividades acadêmicas
ContextoGreve iniciada em 2 de março
Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).