Ministério Público nega que realizou acordo com a Vale para reativação da Mina de Timbopeba

Diferentemente do que divulgou a Vale S.A. no dia 29 de abril, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) nega ter realizado acordo com a mineradora quanto à retomada das atividades na Mina de Timbopeba, localizada em Ouro Preto.
Segundo a Promotoria de Justiça, em setembro de 2019, um acordo foi pactuado entre a Vale S.A, SLR Canadá Consulting e o MPMG no qual consta na sexta cláusula que as atividades poderiam ser retomadas caso houvesse  o “não lançamento de novos rejeitos na barragem de Doutor ou realização de qualquer atividade que incremente risco à estrutura”. Na mesma cláusula do acordo também conta que uma “eventual retomada de atividade da Mina de Timbopeba apenas poderá ocorrer se não houver incremento de risco às barragens do Doutor, Natividade e Timbopeba”, e por último, que “a barragem do Doutor deverá ser descomissionada”.
O comunicado do Ministério Público publicado nesta quinta-feira (30) desmente a informação publicada pela Vale. O MPMG considera que “é errada a informação divulgada pela mineradora nessa quarta-feira, 29”.
O MPMG contrapõe a informação: “sobretudo em momento em que está em curso processo de evacuação da comunidade de Antônio Pereira”, e completou que as dificuldades encontradas para a reativação da Mina de Timbopeba são reais e se agravam após a mineradora ter elevado para o nível 2 de emergência a barragem do Doutor.
O Ministério Público ainda divulgou que continuará investigando os fatos a fim de se certificar de que o retorno às atividades (pretendido) não aumente o risco das barragens já administradas pela mineradora.
A Vale ainda não se manifestou em relação à publicação do Ministério Público.
Confira a nota publicada na quarta-feira (29) pela mineradora:
“Vale sobre a retomada de operação na mina Timbopeba
A Vale S.A. informa que, na próxima semana, irá retomar as operações de processamento a seco na mina de Timbopeba, parte do Complexo Mariana, em linha com o informado anteriormente em seu Relatório de Produção em 17 de abril de 2020. Após avaliação do plano de retomada das operações pela auditoria externa contratada para prestar informações ao Ministério Público do Estado de Minas Gerais, a Vale retomou a operação da mina Timbopeba. As operações estavam suspensas desde março de 2019.
Testes de vibração foram concluídos em janeiro de 2020 e foi certificada a ausência de impacto nas estruturas geotécnicas do site, que permitiu o reinicio das operações de processamento a seco com produção mensal de aproximadamente 330.000 toneladas de finos de minério de ferro. As atividades de manutenção para garantir um retorno seguro às operações foram concluídas com êxito.
As atividades de processamento a úmido devem ser retomadas no 4T20, após a conclusão da construção de um duto para a disposição de rejeitos na cava de Timbopeba e dependem de autorização externa. A retomada das atividades de processamento a úmido permitiria à operação atingir sua capacidade total de produção de cerca de 1,0 milhão de toneladas por mês. Alternativas para antecipar a retomada das atividades de processamento a úmido estão em avaliação.
A retomada do processamento a seco e o retorno esperado do processamento a úmido no 4T20 já estão incluídos no guidance de produção de finos de minério de ferro da Vale para 2020, de 310-330 milhões de toneladas.”

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