Profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) denunciam atraso no pagamento de trabalhadores na região de Ouro Preto, Mariana e Itabirito. Segundo os relatos, o problema atinge principalmente profissionais contratados por meio de RPA, sem vínculo formal de emprego.
De acordo com um condutor socorrista, que pediu anonimato, os valores referentes ao mês anterior ainda não foram pagos, mesmo com a informação de que os repasses já teriam sido realizados pelas prefeituras.
“A gente tem informação que o pagamento foi feito, mas não chegou pra nós até hoje”, afirmou.
O trabalhador relata que a situação se prolonga há semanas e ocorre mesmo com a proximidade de um novo ciclo de pagamento. “Já está na hora de cair o pagamento do próximo mês e o anterior ainda não foi pago”, disse.
Regime de RPA em escala fixa levanta questionamentos
Parte da equipe atua por meio de RPA, sigla para Recibo de Pagamento Autônomo. Nesse modelo, o profissional é remunerado como prestador de serviço, sem registro em carteira e sem direitos como férias, 13º salário e FGTS.
No entanto, segundo os relatos, esses trabalhadores cumprem escala fixa mensal de plantões, com horários definidos e atuação contínua no serviço de urgência.
Esse formato levanta questionamentos, pois o RPA é, em regra, utilizado para atividades eventuais, sem subordinação direta e sem rotina fixa. Quando há escala definida, frequência contínua e integração à equipe, o modelo pode se aproximar de uma relação típica de emprego.
“Tem profissionais que fazem o plantão, cumprem escala normal e vão embora sem saber quando vão receber”, disse o trabalhador.
Ele também aponta preocupação com a falta de garantias em caso de acidentes. “Se acontecer alguma coisa, a gente não sabe se o profissional está assegurado”, afirmou.
Cobranças internas não têm resposta
Os profissionais afirmam que vêm cobrando o pagamento junto ao setor de recursos humanos há semanas, sem retorno efetivo.
“Falam que está agendado, mas não resolve”, disse o socorrista.
Segundo ele, supervisores também têm conhecimento da situação e acompanham as tentativas de regularização.
Impacto direto na rotina
Os atrasos têm afetado diretamente a rotina dos trabalhadores, segundo os relatos.
“Está ficando difícil até para ir trabalhar. Todo mundo tem família, tem contas”, afirmou.
O profissional também disse que o problema não é isolado e já ocorreu em outros momentos.
Consórcio condiciona resposta a reunião presencial
O Mais Minas entrou em contato com o Consórcio Aliança, responsável pela gestão do serviço, para esclarecimentos sobre as denúncias.
Em resposta, a entidade informou que só se manifestaria por meio de reunião presencial previamente agendada. Segundo a reportagem, esse formato não permitiria retorno dentro do prazo de fechamento da matéria.
Até a publicação, não houve posicionamento oficial sobre os atrasos e as condições de contratação.







