A Universidade Federal de Ouro Preto decidiu manter o calendário acadêmico em vigor durante a greve dos servidores técnico-administrativos. A decisão foi tomada na quarta-feira, 1º de abril, durante reunião extraordinária do Conselho Universitário, após análise de proposta apresentada pelo comando local de greve.
Logo no início da sessão, os conselheiros aprovaram a inclusão do tema na pauta. Em seguida, foi aberto espaço para manifestações de representantes dos técnicos-administrativos, docentes e estudantes, que apresentaram diferentes pontos de vista sobre os impactos da paralisação.
Durante o debate, foram destacados efeitos da greve na rotina acadêmica e na permanência dos estudantes nas cidades onde estão localizados os campi da instituição. Entre os pontos mencionados, estiveram custos com moradia, alimentação e deslocamento, além das possíveis consequências de uma eventual suspensão das atividades de ensino.
Ao final da discussão, o Conselho Universitário deliberou pela manutenção do calendário acadêmico. Com isso, as atividades seguem conforme o cronograma previsto, mesmo com a continuidade do movimento grevista.
Medidas aprovadas pelo Conselho
Além da decisão sobre o calendário, o conselho aprovou a criação de uma comissão para elaborar um ofício institucional a ser encaminhado ao Ministério da Educação e ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O documento deve tratar das demandas apresentadas pela categoria em greve.
Outra medida prevê a orientação ao corpo docente para que sejam realizados debates em sala de aula sobre o movimento. A proposta busca ampliar a discussão sobre a paralisação no ambiente acadêmico.
Proposta de suspensão partiu do comando de greve
A possibilidade de interrupção do calendário havia sido solicitada pelo Comando Local de Greve, que defendia a medida como estratégia para fortalecer o movimento e ampliar o poder de negociação junto ao governo federal.
Caso fosse aprovada, a suspensão implicaria na paralisação das atividades acadêmicas em todos os campi da universidade, incluindo Ouro Preto, Mariana e João Monlevade.
Contexto da greve na universidade
A greve dos servidores técnico-administrativos da UFOP teve início no dia 2 de março, após aprovação em assembleia realizada em 23 de fevereiro. O movimento ocorre em meio a reivindicações relacionadas ao cumprimento de acordos firmados com o governo federal em 2024.
Entre os principais pontos está o Reconhecimento de Saberes e Competências, mecanismo que permite progressão na carreira com base em qualificações adquiridas fora da formação formal. Segundo o sindicato, o texto encaminhado pelo governo ao Congresso diverge do que havia sido acordado.
A categoria também reivindica redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, avanços nas progressões, reposicionamento de aposentados, realização de concursos públicos e mudanças na gestão das instituições federais.
Atividades seguem com serviços essenciais mantidos
Mesmo com a greve, parte das atividades administrativas e acadêmicas continua sendo realizada para evitar prejuízos institucionais. Entre os serviços considerados essenciais estão o funcionamento dos conselhos, a gestão de contratos, a realização de concursos e a manutenção de pesquisas que exigem acompanhamento contínuo.
A orientação é que apenas atividades cuja interrupção possa causar danos permanentes à universidade ou riscos a pessoas e animais sejam mantidas.
Com a decisão do Conselho Universitário, a UFOP mantém o funcionamento das atividades acadêmicas e define novas ações institucionais relacionadas ao movimento grevista.







