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segunda-feira, 5 dezembro 2022

Franciele Santana
Franciele Santana
Nutricionista, natural de Ouro Preto/MG, e uma admiradora da arte da escrita, almejo proporcionar saúde compartilhando meus conhecimentos de modo a agregar melhorias na vida do maior número de pessoas possível.

Respeite para ser respeitado

Nos últimos dias as redes sociais vêm sendo tomadas por discursos que pregam o respeito à opinião do outro. Sim, frequentemente essa manifestação possui cunho político, no entanto, se aplica também às escolhas alimentares.

No dia a dia podemos notar que muitas pessoas se preocupam se serão julgadas por suas escolhas, enquanto outras se ocupam de fazer essa fiscalização. Algumas pessoas optam por um tipo de alimentação e se julgam na obrigação de buscar outros adeptos, como se a sua opção fosse a única válida para proporcionar um corpo e uma vida saudável. Assim como você fez a sua opção e quer ser respeitado, respeite as escolhas alheias.

Geralmente, essas críticas vêm de pessoas próximas, como amigos e familiares, podendo estar disfarçadas de preocupação com a saúde e bem-estar da pessoa, impactando ainda mais na sua autoestima e saúde mental.

Os comentários sobre a alimentação do outro costumam envolver a qualidade da comida, se há carboidratos, gorduras ou açúcar em excesso e também o tamanho das porções. Se o julgamento for frequente, a pessoa começa a se sentir inibida em comer em público, podendo até mesmo deixar de comer aquilo que gosta de modo a evitar os sentimentos negativos que surgem com o julgamento alheio. Desse modo, alimentar-se deixa de ser prazeroso e se torna um momento de tristeza e desconforto, gerando prejuízos nutricionais e emocionais, podendo causar o desenvolvimento de transtornos alimentares além de crises de estresse, ansiedade e, muitas vezes, depressão.

 Um dos primeiros sinais de transtornos alimentares é o sentimento de culpa depois de comer. Nesses casos, quando a pessoa percebe que o julgamento alheio está afetando as suas escolhas alimentares, é fundamental procurar ajuda médica e psicológica.

O fato é que posicionar-se é a melhor forma de combater esse comportamento abusivo, visto que as críticas podem ir além de uma simples opinião, tornando-se uma fiscalização sobre os hábitos alimentares alheios. É considerado um tipo de bullying, que está relacionado diretamente à cultura da dieta.

É importante deixar sempre claro se você não se sentir bem quando alguém fizer comentários desagradáveis sobre a sua comida e/ou seus hábitos. Seja direto e expresse seus sentimentos mostrando que essa atitude não contribui para melhorar sua relação com a comida e o deixa constrangido.

Ninguém deve sentir medo, culpa ou vergonha de comer. É importante lembrar que os alimentos vão além de uma classificação, a alimentação envolve a nossa cultura, vontades, individualidades, lembranças e família. O ideal é não se privar do que gosta, mas manter o equilíbrio nas escolhas alimentares, desconstruindo o conceito de que existem alimentos bons e ruins

Para ter uma relação mais saudável com a comida, é importante entender o próprio corpo e as emoções, permitindo que o ato de comer seja prazeroso e uma experiência agradável; para tanto é essencial que respeitemos as nossas escolha e vontades e também as escolhas alheias. Não somos os detentores da verdade universal, logo não somos aptos a julgar as escolhas que o outro faz.  Cuidemos mais de nós e façamos as melhores escolhas de acordo com a nossa necessidade, e respeitemos as escolhas que o outro faz conforme a realidade dele.

* Esse texto é um artigo de opinião do colunista e pode não representar a posição do portal Mais Minas sobre o assunto.

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