A Gerdau celebrou nesta semana, última de maio, os 40 anos de operação da Usina de Ouro Branco, considerada a maior planta da empresa no mundo e responsável por mais de 10% de todo o aço produzido no Brasil. A comemoração ocorre em um momento de expansão dos investimentos da companhia em Minas Gerais, incluindo um projeto de mineração sustentável de R$ 3,5 bilhões em Miguel Burnier, distrito de Ouro Preto.
O evento reuniu autoridades, empresários, trabalhadores e representantes da comunidade para marcar a trajetória da unidade, inaugurada em 1986 e que, desde então, se consolidou como uma das principais operações da siderurgia brasileira. Segundo a empresa, mais de 110 milhões de toneladas de aço bruto já foram produzidas na planta ao longo de quatro décadas.
Atualmente, a usina possui capacidade instalada de 4,5 milhões de toneladas de aço líquido por ano e abastece setores como construção civil, indústria automotiva, agricultura, energia e indústria naval, além de exportar para diversos países. Cerca de 10 mil pessoas circulam diariamente pela unidade entre empregados próprios e trabalhadores de empresas parceiras.
Como a história da usina se conecta a Ouro Preto?
Embora a celebração tenha ocorrido em Ouro Branco, parte importante do futuro da operação está sendo construída em Ouro Preto.
Em março de 2025, durante a inauguração da ampliação do laminador de bobinas a quente da usina, o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, revelou que o maior investimento da história da companhia estava em andamento justamente em Miguel Burnier.

Na ocasião, o executivo afirmou que o projeto, avaliado em R$ 3,5 bilhões, seria inaugurado em janeiro de 2026 e permitiria à empresa alcançar autossuficiência no fornecimento de minério de ferro para a usina de Ouro Branco.
O empreendimento foi apresentado como uma plataforma de mineração sem barragens, baseada no empilhamento a seco de rejeitos. Segundo a companhia, o modelo reduz riscos operacionais e ambientais associados à atividade minerária.
A conexão entre as duas cidades é direta. O minério extraído em Miguel Burnier será transportado até Ouro Branco por meio de um mineroduto de aproximadamente 13 quilômetros, fortalecendo a integração entre mineração e siderurgia dentro da própria cadeia produtiva da empresa.
Quais investimentos recentes foram realizados?
A comemoração dos 40 anos também serviu para destacar os investimentos recentes da companhia em Minas Gerais.
Em 2025, a Gerdau concluiu a expansão do laminador de bobinas a quente da usina de Ouro Branco. O projeto recebeu aporte de R$ 1,5 bilhão e ampliou em 250 mil toneladas a capacidade anual de produção, que passou a 1,1 milhão de toneladas. Segundo a empresa, a obra gerou mais de 2.500 empregos na região.
Além disso, a companhia informou que os investimentos em mineração sustentável em Miguel Burnier integram um plano mais amplo de aproximadamente R$ 6 bilhões destinados à modernização e ampliação das operações mineiras.
O que mudou na operação ao longo dos anos?
A trajetória da unidade é marcada por diferentes ciclos de expansão e modernização.
Entre os marcos citados pela empresa estão a privatização da então Açominas, em 1993, a entrada da Gerdau na composição acionária em 1997 e a ampliação das operações de aços planos nos anos 2000.
Mais recentemente, a companhia passou a investir em transformação digital. Em 2024, a usina recebeu a primeira rede privada 5G do setor siderúrgico na América Latina, tecnologia utilizada para aplicações ligadas à automação industrial, inteligência artificial, internet das coisas e monitoramento em tempo real dos processos produtivos.
Qual o papel da usina para a economia regional?
Ao longo de quatro décadas, a operação tornou-se um dos principais polos industriais de Minas Gerais, influenciando diretamente a economia de cidades como Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Congonhas e Ouro Preto.
A proximidade entre a usina e os projetos de mineração da companhia ajuda a explicar a importância estratégica dos investimentos realizados na região. Com a entrada em operação do projeto de Miguel Burnier, a expectativa da empresa é reduzir a dependência de fornecedores externos de minério e aumentar a competitividade da produção de aço em Ouro Branco.
A iniciativa também deverá impactar a logística regional. Conforme informado anteriormente pela Gerdau, a implantação do mineroduto permitirá retirar cerca de 400 caminhões por dia das rodovias da região, reduzindo o fluxo de transporte mineral por caminhão entre as operações de mineração e siderurgia.







