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Ainda sem grandes oportunidades, Vinícius Popó está sendo “queimado” por Adilson Batista?

Surgiram na imprensa, nesta terça-feira (10), notícias dizendo que o agente do jovem atacante Vinícius Popó, do Cruzeiro, estaria insatisfeito com a falta de oportunidades dadas ao jogador, além de um possível retorno do centroavante ao time sub-20 cruzeirense.

O diretor de futebol da Raposa, Ocimar Bolicenho, foi rápido ao desmentir a possibilidade de retorno à base, mas, toda a situação gerou um questionamento: estaria Vinícius Popó sendo “queimado” no Cruzeiro?

O jogador de 19 anos é tido como a principal joia da base celeste e tem mais de 100 gols marcados nas equipes jovens do Cruzeiro. Vinícius Popó é conhecido pelo poder de finalização e bom posicionamento, e subiu ao time profissional no início de 2019, ainda sob o comando de Mano Menezes.

Com a queda do Cruzeiro para a Série B e a debandada de atletas do time, o torcedor esperou ver o jovem matador que, até então, tinha somente cinco jogos no profissional, todos entrando com a partida já em andamento.

Mas o que se viu foi o jogador passar a ter cada vez menos chances e mesmo com o bom desempenho nos treinos e situações de jogo favoráveis, ser descartado pelo treinador Adilson Batista.

Popó tem apenas 34 minutos jogados em 2020 – Crédito da foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Incoerência

A falta de oportunidades para Popó é injustificada. Já no primeiro jogo da temporada, quando o time jogou com grande parte dos jogadores oriundos da base, o escolhido foi Thiago. Apesar da escolha ter dado certo, com o titular fazendo gol, foi uma espécie de “furada de fila”, pois Popó já esperava sua oportunidade há um ano. E quando Thiago se machucou ainda no primeiro tempo deste jogo, quem entrou foi Judivan, que hoje, anda sumido do Cruzeiro.

Com a entrada de Thiago, qualquer argumento relacionado ao não aproveitamento de Popó pela sua falta de experiência acabou caindo por terra. Desempenho nos treinos também não faz muito sentido, já que naquele momento, o escolhido para o time titular havia treinado pouco, já que tinha disputado a Copinha poucos dias antes e na maioria das vezes, treinou entre os reservas.

Roberson

Com os primeiros dias da temporada passando, um novo jogador chegou ao Cruzeiro. Se tratava do atacante Roberson, motivo de crítica da torcida antes mesmo de sua estreia pelos números pífios na carreira, 31 gols marcados, aos 30 anos de idade, sendo atacante.

E o que o torcedor mais temia aconteceu. Roberson virou a primeira opção de ataque para Adilson Batista. O desempenho do camisa 37 celeste fez jus aos seus números e ele logo passou a ser o atleta mais criticado do Cruzeiro. Mas o treinador insistiu. Popó até entrou em campo nesta fase, mas sempre no segundo tempo, com o time precisando do resultado. Foram três jogos disputados pelo camisa 30 do Cruzeiro, com apenas 34 minutos em campo, somando-se todos.

O argumento do desempenho em campo nunca foi válido. Roberson sempre jogava e apresentou muito menos que Popó, que em seus parcos 34 minutos, deu uma assistência para um gol importantíssimo de Maurício, que evitou que o Cruzeiro perdesse para a Patrocinense, em fevereiro.

Parceria entre Popó e Maurício vem de longa data no Cruzeiro – Crédito da foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Treinamentos

A única justifica plausível para a pouca utilização de Vinícius Popó e o discurso de Adilson de falta de preparo do atacante, seria um eventual mau desempenho nos treinos. Bom, é o treinador quem acompanha o dia a dia do time. Mas nos jogos treinos realizados pelo Cruzeiro, Popó foi destaque, fazendo gols em todos eles. Será que não merecia uma chance de começar um jogo? Adilson acredita que não.

Chegada de Marcelo Moreno

Nesse meio tempo, Roberson se machucou, e com Thiago também no DM, a chance poderia pintar para Popó. Mas então Marcelo Moreno foi contratado e, como era esperado, assumiu o comando do ataque celeste. Apesar de diminuir o espaço dos jovens, a chegada de Moreno seria mais positiva que negativa ao desempenho destes.

Um jogador rodado e de qualidade acrescentaria muito aos jovens, ainda em busca de experiência. Thiago segue tendo chances e vem se saindo bem. Jogou bem contra o Boa Esporte. na Copa do Brasil, e deixou sua marca no clássico contra o Atlético. Mas Popó segue esquecido, e hoje, pode ser considerado quarta ou quinta opção de ataque. Isso sem jamais iniciar um jogo como titular.

Os riscos de se queimar uma joia

Com 19 anos, tendo passagens pelas Seleções de base, e um potencial já mostrado nas camadas inferiores do clube, não faz sentido as poucas chances ao garoto, principalmente a falta delas não ser coerente com o tratamento dado a outros atletas.

O Cruzeiro passa por um momento de reestruturação onde laços com o clube tem que ser valorizados. Nomes como Roberson, Jhonata Robert e demais ganharem espaço dos jogadores ligados ao clube, que preferiram ficar e ajudar na reconstrução celeste, sem já terem feito nada pelo clube ou em suas carreiras é inconcebível.

Popó é um ativo do clube que vem sendo perdido sem nem ao menos ser testado corretamente, dentro de um contexto minimamente favorável ou de um esquema de jogo que não seja o abafa dos minutos finais. E, de se ao menos cogitar um retorno do atacante ao sub-20, abre se uma brecha para jogar ao fogo uma das grandes promessas recentes do clube.

Popó e Thiago podem ser reservas, o estranho é quando os titulares são Roberson e Judivan – Crédito da foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Vinícius Popó pode não jogar, é claro. Mas é interessante questionar: por que Popó não joga? Por que Thiago joga sendo mais novo? Por que Roberson joga apresentando um desempenho pífio em campo? Por que Judivan joga não se destacando como o camisa 30 nos treinos? Você sabe? Bom, eu ainda não sei. Que Adilson Batista, sem rodeios e histórias incoerentes, conte a todos nós.

Veja também: Destaques no clássico, os jovens Edu e Thiago surgem como boas alternativas para o Cruzeiro em 2020

Maicon Costa

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Maicon Costa